Especialistas criticam falta de política nacional de combate ao analfabetismo
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terça-feira, 07 de setembro de 1999
Por Roberta Jansen 
Rio, 08 (AE) - O desafio de vencer o analfabetismo no Brasil - que registra 15,8 milhões de analfabetos - foi debatido hoje, Dia Internacional da Alfabetização, na abertura do Encontro Nacional de Educação de Jovens e Adultos, no Rio. No encontro, sobraram críticas a falta de uma política nacional de alfabetização de jovens e adultos. Os participantes do evento pretendem elaborar uma proposta integrada para o setor, articulando esforços da União, Estados, municípios, iniciativa privada e organizações não-governamentais.
"O Brasil carece de uma política coerente e integrada de educação para jovens e adultos", afirmou o presidente do Conselho Nacional de Educação e do Conselho Nacional de Secretários de Educação, Éfrem de Aguiar Maranhão, secretário de Educação de Pernambuco. Na avaliação de Maranhão, uma política integrada deve proporcionar não apenas o acesso à escolaridade básica, mas também oportunidades de qualificação e atualização para o trabalho e criação de renda. "Isso não é tarefa apenas do governo, mas de toda a sociedade", disse. "É preciso construir uma rede de parcerias na qual interajam as instituições governamentais, as empresas, as igrejas, as instituições de ensino, entre outras". Escolaridade - O Serviço Social da Indústria (Sesi) é uma das entidades que desenvolvem programas de alfabetização em parcerias com empresas, prefeituras e governos estaduais, atuando em 2.200 municípios e atendendo a 600 mil alunos. "O número elevado de analfabetos impede a inserção competitiva do Brasil em um mundo globalizado", afirmou o diretor-superintendente do Sesi, Rui Lima do Nascimento, lembrando que a média de escolaridade do trabalhador da indústria no País é de cinco anos. "Nos países mais desenvolvidos da América Latina essa média varia de sete a nove anos". A meta do Sesi é ter 7,1 milhão de alunos matriculados até 2004. "Dependemos da aprovação de um empréstimo de US$ 600 milhões do Banco Mundial".
A coordenadora de educação para jovens e adultos do Ministério da Educação (MEC), Leda Seffrin, afirmou que o objetivo do ministério é fortalecer a articulação entre governo e entidades da sociedade civil comprometidas com a educação. Segundo ela, o MEC apoia financeiramente iniciativas de educação para jovens e adultos em 619 municípios e investe na formação de professores. "Esses alunos são diferentes e precisam de professores com uma formação específica", explicou. "Esses alunos são diferentes e precisam de professores com uma formação específica", explicou. "Queremos agora, estreitar essas relações de trabalho e cooperação técnica".


