Ambiental e economicamente a Hidrovia Paraguai-Paraná é inviável, aponta um estudo apresentado ontem, em um encontro que reúne brasileiros, argentinos, bolivianos, paraguaios e uruguaios interessados no projeto, em Campo Grande. A conclusão é de 25 consultores especializados que trabalharam sobre estudos de impacto ambiental e viabilidade econômica da hidrovia, contratados pelo Fundo Mundial para a Vida (WWF), instalado em 98 países. Eles concluíram que o empreendimento poderá trazer consequências desastrosas e irreversíveis para a natureza brasileira, com reflexo em toda a Terra. Os especialistas têm escritórios nos Estados Unidos e países europeus.
A ameaça está na insistência dos responsáveis pela hidrovia em adaptar o Rio Paraguai às características das embarcações, o que obriga à redução das curvas, permitindo a passagem livre de grandes comboios. Caso as mudanças sejam feitas, a água ganhará velocidade, deixando de banhar o Pantanal e, dessa forma, provocando transformações radicais nos ecossistemas da região. Estas e outras observações do gênero têm mobilizado entidades de defesa dos direitos humanos, indigenistas e ambientalistas de um modo geral contra a hidrovia.
Os grandes exportadores de minério, açúcar e soja dos países envolvidos na questão querem a hidrovia funcionando entre Cáceres (MT) e Puerto Palmira (Uruguai). Apontam como maior vantagem a economia de um dólar em cada 60 quilos de produtos que exportarão através do sistema. Técnicos do WWF afirmam que isso não é real, pois os estudos de viabilidades econômicas não consideram a concorrência de outros meios de transportes, entre eles a Ferronorte, que vai ligar Cáceres ao Porto de Santos, com muito mais capacidade de carga e preços menores nos fretes, sem pôr em risco o Pantanal, a maior área úmida do Planeta.
Ainda conforme o estudo do WWF, uma parcela de empresários será favorecida, como as empreiteiras envolvidas na construção, as companhias de dragagem, os exportadores e os grandes produtores de soja. Mas os custos serão distribuídos entre uma população menos privilegiada, como pequenos proprietários rurais, índios e a população ribeirinha de um modo geral, que no decorrer do tempo serão deslocados das suas propriedades.
Os debates estão centralizados no Palácio Popular da Cultura, no Parque dos Poderes, centro administrativo e político de Mato Grosso do Sul e são promovidos pela Agência Estadual de Desenvolvimento. O encontro termina hoje à noite.

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