Florianópolis, 28 (AE) - Dois dos maiores especialistas mundiais em oncologia apresentaram hoje, dentro da programação do Congresso Brasileiro de Oncologia Clínica, que acontece em Florianópolis até domingo (31), os novos medicamentos para tratamento do câncer de mama e do cólon e reto que reduzem os efeitos colaterais e aumentam a sobrevida dos pacientes. Os médicos Aman Buzdar, do Serviço de Mastologia da Universidade do Texas, e David Kerr, do Instituto para Estudos do Câncer da Universidade de Birmingham, mostraram resultados de pesquisas que comprovam os benefícios das novas drogas.
Buzdar falou sobre o Anastrozol, conhecido como "Arimedex", uma nova alternativa para tratamento hormonal do câncer de mama avançado.
Efeitos colaterais como trombose (obstrução ao fluxo de sangue), câncer de endométrio (camada interna do útero) e sangramento vaginal são muito menores em pacientes que tomaram o medicamento.
"Lançado em 1973, o tamoxifeno, até agora, vinha resistindo a todas as comparações com outras drogas, mas o anastrozol parece oferecer melhor desempenho em sobrevida e tempo transcorrido até a progressão da doença", explica Buzdar. Estudo comparativo realizado nos Estados Unidos mostrou que a as mulheres tratadas com tamoxifeno, o medicamento padrão usado até agora, tiveram um risco 44% maior de progressão da doença do que as tratadas com anastrozol.
Kerr mostrou também as vantagens de uma nova droga, o Tomudex, quimioterápico especifíco para câncer de cólon e reto que será lançado no Brasil somente em 2000, mas que vem sendo usado em larga escala na Inglaterra há mais de três anos. "Ele traz inúmeros benefícios ao paciente", garante. "Além de ser injetável, é administrado somente a cada três semanas em infusão única, o que é muito mais conveniente", assegura.
O Tomudex ainda reduz radicalmente os efeitos colaterais. Estudos mostraram que as as úlceras orais apareceram em 20% dos pacientes tratados com outros medicamentos, enquanto nos que receberam Tomudex, o percentual foi de apenas 2%. No caso de neutropenia (redução do número de células de defesa), o índice de pacientes reduz de 15% para 3%.

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