São Paulo, 17 (AE) - De acordo com vários especialistas em biotecnologia, o Brasil cometeu uma grande imprudência ao liberar o cultivo de soja transgênica pela Monsanto sem dispor da estrutura de segurança necessária para fiscalizar as plantações. Se por um lado as plantações transgênicas produzem mais que as plantações naturais com custos menores, por outro faltam fiscais para prevenir possíveis riscos ao meio ambiente. Segundo eles, há até mesmo desvantagens econômicas de o Brasil autorizar a plantação de soja modificada.
Ao defender recentemente o plantio de soja transgênica, alegando que o Brasil é "o único grande produtor de soja que não está usando produtos geneticamente modificados", o ministro da Ciência e Tecnologia, Luiz Carlos Bresser Pereira, pode ter, na expressão cunhada pelo presidente do Congresso, Antônio Carlos Magalhães, feito um "desserviço" ao País.
Pela lógica, se o Brasil era o único grande - o segundo maior, depois dos Estados Unidos - exportador de soja a oferecer o produto natural e há gigantescos mercados resistindo ao consumo de produtos transgênicos, como Japão e União Européia, o País deveria aproveitar o nicho, em vez de abrir suas terras à expansão irrestrita das multinacionais norte-americanas do setor.
Segundo o economista norte-americano Jeremy Rifkin, presidente da Foundation in Economic Trends (Fundação para Tendências Econômicas), que esteve no Brasil para lançar seu novo livro, O Século da Biotecnologia (Makron Books), as autoridades que defenderam a autorização contribuíram para a estratégia das empresas americanas. Ao entrar no mercado brasileiro, diz Rifkin, elas pretendem deixar os países que estão resistindo sem fornecimento de soja natural, para forçá-los a aceitar os produtos transgênicos, abrindo definitivamente o mercado global aos alimentos modificados das megaempresas americanas. Para ele, o Brasil deveria ter feito como a União Européia - e como propõem a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e o secretário da Agricultura do Rio Grande do Sul, José Hermeto Hoffmann -, que decretou uma moratória dos trangênicos.
Quem resiste aos produtos alega que o destino do pólen emitido por uma plantação é incontrolável e não se sabe o que pode ocorrer quando genes modificados entrarem em contato com outras plantas. Quanto ao consumo, segundo Rifkin, cerca de 10% das pessoas são alérgicas a alimentos naturais, "imagine a produtos geneticamente alterados".

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