Especialistas apontam desvalorização da profissão
Curitiba - O desinteresse pela licenciatura em Letras foi o motivo alegado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) para que a instituição decretasse o fim da oferta de cursos de Letras Português e Português/Espanhol em agosto. Alunos e docentes da instituição protestaram contra o fechamento.
Para o vice-presidente do Sindicato dos Professores de Ensino Superior (Sinpes), Valdyr Perrini, a situação piora o status da profissão. "Isso acaba expondo a desvalorização do professor. A menor procura por esses cursos é resultado de toda uma conjuntura, de desvalorização do professor, falta de estrutura nas escolas. Mas o fechamento acrescenta piora nesse quadro", alfineta.
Perrini critica a postura da universidade que, segundo ele, tem uma função filantrópica, com isenções fiscais, o que seria um fator motivador para manter os cursos. Sobre a situação dos cursos de licenciatura em geral, Perrini destaca as dificuldades enfrentadas pelos professores nesta situação. "Quem vai para o bacharelado e também dá aulas geralmente tem outra profissão. Já quem está na licenciatura tem que dar mais aulas e se dedica apenas a isso. A pessoa tem mais estresse", opina.
Falta de respeito
Para o professor de psicologia da educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Américo Agostinho, a falta de respeito com os professores por parte dos alunos é resultado de "uma sociedade cada vez mais imediatista". Os alunos, na opinião dele, não estão preocupados com a reflexão sobre as informações que recebem. Com isso, segundo Agostinho, os professores, em especial os mais antigos, teriam dificuldade para adaptar o discurso, que vem de uma formação mais reflexiva, ao dos adolescentes. "É uma sociedade com padrão mais imediato e que foge das coisas mais complexas, mesmo para ler um livro, porque tem que pensar."(R.B.)





