BRASÍLIA - A proposta do professor e senador Darcy Ribeiro (PDT-RJ) para ocupação alternativa da Amazônia começou ontem a sair do papel. Durante todo o dia em Brasília, pesquisadores e especialistas analisaram os prós e contras do chamado Projeto Caboclo e decidiram que ele deve ser concretizado.
Participaram do ‘‘Primeiro Simpósio da Amazônia’’ cerca de 20 antropólogos, biólogos, sertanistas e agrônomos do setor público e privado.
Inicialmente, o trabalho será custeado pela Associação Cristã de Pesquisa e Preservação do Meio Ambiente, ligada às igrejas da Assembléia de Deus. O custo do projeto ainda não foi estimado. A proposta de Darcy é instalar, experimentalmente, dez ou 12 comunidades de índios e caboclos, com 50 famílias cada, em áreas de, no mínimo, 5.000 hectares na Amazônia.
Cada comunidade terá como atribuição produzir alimentos para sua própria subsistência, cuidar do replantio de árvores frutíferas e industriais (como a seringueira) e criar peixes ou animais da região, como jacarés e capivaras.
A idéia, segundo Darcy Ribeiro, inspira-se nos ideais do líder seringueiro Chico Mendes, morto em 1988, que buscava enriquecer os seringais nativos com modos não destrutivos de adaptação e de desenvolvimento sustentável. Na prática, o projeto quer dar aos moradores da Amazônia condições e estímulos para que eles produzam na própria região em que foram criados, sem comprometer o ecossistema, evitando a migração para a periferia das grandes cidades da região, como Belém e Manaus.

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