Ribeirão Preto, 23 (AE) - O ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e ex-secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior, José Roberto Mendonça de Barros, disse nesta quinta-feira (23), durante o Seminário de Conjuntura Agropecuária, em Ribeirão Preto, que acredita na melhora nas produções de soja, açúcar e grãos em geral no ano 2000.
Outros especialistas, nas áreas de açúcar e álcool e em grãos, também estão otimistas, mas a agricultura nacional esbarra num problema: a falta de dinheiro para a produção.
Mendonça de Barros disse que o crescimento econômico da Europa
a estabilidade dos Estados Unidos e a recuperação dos países asiáticos dão novas perspectivas para a agricultura brasileiro, desde que o preço do petróleo também mantenha a tendência de recuo no próximo ano.
A redução da inflação ainda facilitaria o custo de produção, já que o transporte e a mecanização não seriam afetados. Para Barros, o PIB nacional deverá oscilar entre 3% e 3,5%, enquanto o PIB agrícola deverá atingir os 3,5%.
A estabilidade do dólar, flutuando em R$ 1,80, também manteria os preços dos insumos agrícolas estáveis, aumentando a margem de preço no mercado. A restrição ao crédito agrícola pelas instituições financeiras, no entanto, preocupa: os créditos serão mais seletivos.
Em função disso, a tendência da área plantada é diminuir, dificultando a meta de produzir 100 milhões de toneladas de grãos em 2000. Mendonça de Barros disse que é melhor reduzir a área do que diminuir a utilização de insumos, o que tornaria seria uma "economia pobre".
"Os preços internacionais dos produtos agrícolas devem melhorar, mas o produtor vai depender de recursos próprios para plantar."
O ex-coordenador-chefe do Ministério da Agricultura e ex-secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme da Silva Dias, também falou sobre a diminuição da área plantada nos últimos anos.
Apesar disso, a produtividade aumentou, mas insuficiente para o mercado interno.
"Nunca se viu estoques de grãos tão baixos no País", comentou Dias. Ele acredita que os plantar soja e milho são promissores, com os produtores recuperando entre 10% e 20% do preço na venda.
O nível de produção de 1999 caiu, mas o nível de renda subirá em 2000. O problema, mais uma vez, é o enxugando do crédito rural.
O corretor da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), Júlio Maria Borges, já falou sobre a produção de cana, açúcar e álcool na safra 2000/2001. Para ele, a safra será menor, com diminuição de estoque de álcool, redução de 10% na produção de cana (30 milhões de toneladas a menos) e queda na exportação de açúcar entre 30% e 50% (3 a 5 milhões de toneladas).
Os tratos inadequados na lavoura, devido à queda do preço dos produtos, e a falta de renovação dos canaviais serão os efeitos disso. Borges acredita que o produtor de cana terá preços melhores na venda, assim como os usineiros, e que a produção de álcool será maior para atender a demanda interna em função da reativação do Proálcool, com a fabricação de novos automóveis para utilizar o combustível. "Economicamente, é mais atraente produzir mais álcool e menos açúcar, mesmo porque o estoque mundial de açúcar está alto", disse Borges.

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