Especialista sugere avaliação periódica de professores
Brasília, 30 (AE) - A proposta de avaliação periódica da formação e do desempenho dos docentes brasileiros foi discutida hoje no seminário internacional Desenvolvimento Profissional dos Professores - Garantia da Qualidade na Educação, promovido em Brasilia pelo Ministério da Educação e Banco Mundial. De acordo com a sugestão, apresentada pela educadora Guiomar Namo de Melo, da Câmara de Ensino Básico do Conselho Nacional de Educação (CNE), o desenvolvimento do profissional dependeria de exames feitos em intervalos de alguns anos.
O sistema, que se inspira em propostas já executadas em países como Estados Unidos e França, prevê uma fase inicial de avaliação, tanto do desempenho do professor como da aprendizagem dos seus alunos, antes da efetivação do profissional na rede de ensino. As constantes análises de aspectos como atualização também credenciariam os docentes a atuar em determinado nível de ensino. A idéia exposta por Guiomar recebeu apoio de diferentes autoridades educacionais presentes no encontro, como uma das soluções para os sérios problemas de aprendizagem na escola brasileira.
Desnível - Uma pesquisa sobre o perfil dos docentes de Educação Básica, apresentada pela presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Maria Helena Guimarães de Castro, mostrou parte desses problemas. Segundo Maria Helena, os alunos do ensino básico têm rendimento muito melhor com profissionais de formação universitária do que os estudantes cujos docentes possuem apenas diploma do magistério. "Há uma correlação direta entre formação do professor e o rendimento do aluno", disse ela.
No ensino médio, os resultados do levantamento também constataram desníveis de aprendizagem: o rendimento dos secundaristas cujos professores são bacharelados é bem melhor que o daqueles ensinados por profissionais com algum curso de licenciatura.
A avaliação periódica é necessária, de acordo com a professora Guiomar, por causa da grande dificuldade de controlar a expansão quantitativa do sistema educacional brasileiro. Maria Helena mostrou que a soma de todos os profissionais que trabalham com educação no País representa 7,1% da População Economicamente Ativa (PEA). Para a presidente do Inep, "é impossível pensar uma política única de qualificação" com números dessa grandeza.
Exemplo internacional - Especialistas estrangeiros também mostraram no seminário como esse credenciamento docente periódico funciona em outros países. Marilyn Scannel, do Conselho Estadual sobre Padrões Educacionais de Indiana, nos EUA
explicou que os professores formados nessse Estado recebem, após exame, um "pré-certificado". Depois de três anos de prática e nova avaliação, obtêm a efetivação, mantida a partir de exames que analisam sua atualização profissional.
Alain Gavard expôs o modelo francês de certificação, que inclui um "pré-concurso" autorizando a atuação na área. Depois desse exame, os professores entram numa fase de treinamento "em serviço", segundo Gavard. Ele enfatizou que a análise do desempenho dos alunos, além de novo teste após três anos, determinam a futura efetivação.





