Curitiba - O professor Ernesto Paterniani, especialista em genética vegetal da Universidade de São Paulo (USP), defende a tese de que o milho transgênico e o convencional podem coexistir sem que ocorra polinização cruzada. Segundo ele, a idéia é ''utilizar técnicas rotineiramente aplicadas em lavouras com sementes híbridas ou com melhoramento genético convencional''.
A polêmica em torno do milho se refere ao sistema de reprodução da cultura. Diferente da soja e do trigo, o milho possui polinização aberta, ou seja, o pólen se espalha com o vento. Assim, uma plantação transgênica de milho é capaz de contaminar com facilidade os cultivos vizinhos.
Segundo Paterniani, práticas de isolamento no tempo ou no espaço para evitar cruzamentos não desejados ''são utilizadas há centenas de anos pelos índios da América''. Os princípios são básicos: no caso do isolamento temporal, bastaria intercalar, com 25 dias, as épocas dos plantios das lavouras; no isolamento espacial, a idéia é afastar os cultivos a uma distância acima de 300 metros.
''Se não fosse assim, com a utilização de práticas de isolamento, não existiria nenhuma variedade de milho hoje no Brasil. Porque tanto o milho transgênico quanto o convencional causam a contaminação. O sistema de reprodução (polinização aberta no caso do milho) depende da propriedade de cada espécie'', explicou o professor.
Considerado símbolo da luta contra os transgênicos, o milho tem sido destaque no Fórum Global da Sociedade Civil - evento paralelo à MOP3.

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