São Paulo, 08 (AE) - Para o chefe do Centro de Estudos de Preços da Fundação Getúlio Vargas, Paulo Sidney de Melo Cota, se a economia tivesse crescendo normalmente, a inflação deste ano seria bem maior. O repique da inflação por causa das tarifas e dos combustíveis ocorreu em julho. A partir de agora o caminho será descendente, podendo haver uma nova subida de preços em novembro e dezembro, provocada pela maior disponibilidade de renda na economia, ressalta Cota.
No mês passado, o IPA calculado pela FGV fechou com alta de 2%, com os produtos agrícolas subindo 2,4% e os industriais, 1,8%. No varejo, o IGPM registrou aumento de 1,55% e o IPC da Fipe, 1,09%. O IPA geral acumulado de janeiro a julho é de 14%, com os agrícolas subindo 9,5% e os industriais 16,2%. Segundo Cota, os produtos agrícolas deverão pressionar menos em setembro e outubro por conta da oferta maior. Quanto aos preços industriais, especialmente o petróleo, que subiu 84,9% no mercado interrnacional neste ano, até julho, e metais como, o níquel, com alta de 43,2% em igual período, a tendência é de perda de fôlego, diz o econmista da LCA, Luís Suzigan.
No caso do petróleo, o preço já superou a meta da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de US$ 18 por barril e as cotações dos metais, que foram impulsionadas pela retomada dos países asiáticos, devem atingir o limite de alta, com o crescimento menos das economias européias e latinas.
Suzigan concorda com Cota ao prever que a diluição dos reajustes dos combustíveis e das tarifas deve fazer com que os índices de preços percam fôlego depois de agosto. Ele destaca que os preços ao consumidor continuam comprimidos pela recessão, mas não descarta a possibilidade que eles voltem a subir no último trimestre do ano. É que nesse período normalmente circula mais dinheiro na economia, o que pode propiciar uma recuperação de margens por parte do comércio.
Mas essa recuperação, frisa o economista, não põe em risco a meta de inflação de até 10% para este ano e de até 8% para o ano 2000. "A demanda continuará reprimida por alguns anos", afirma Suzigan. É que o crédito para consumo deve permanecer contido, influenciado pelo juro alto para poder atrair o dinheiro de fora e pelo desemprego elevado, que faz crescer o risco de inadimplência.

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