Especialista não acredita que "bug" causará problemas graves Do correspondente Paulo Sotero
Washington, 29 (AE) - Bruce W. McDonnell já armazenou água suficiente para três dias, seguindo a única recomendação do governo norte-americano sobre como as pessoas devem se preparar para eventuais interrupções no fornecimento causados pelo bug do ano 2000.
Mas McDonnell está convencido de que não faltará água em sua casa, num subúrbio de Washington, nem haverá grandes problemas, nos Estados Unidos ou no resto do mundo, provocados por falhas dos sistemas computadorizados usados na operação e/ou administração dos serviços de água, eletricidade, telecomunicações, portos, aeroportos ou nos mercados financeiros e nos negócios em geral.
Se alguém sabe o que exatamente vai acontecer durante o período de 24 horas em que o mundo brindará a chegada no novo século, é McDonnell. Um engenheiro norte-americano especializado em administração pública, ele é o diretor do Centro Internacional de Cooperação sobre o Problema do Ano 2000 (IY2KCC), criado em fevereiro passado pelas Nações Unidas, com fundos do Banco Mundial.
A partir de 10 horas da manhã da sexta-feira, horário de Brasília, quando a Nova Zelândia e vários países-ilha do Pacífico inaugurarão o no ano 2000, McDonnell e quatro outros funcionários estarão de plantão no modesto QG do IY2KCC, situado a dez quadras da Casa Branca, recebendo e distribuindo via internet as informações sobre eventuais problemas durante o que ele chama de "a rolagem". Para os interessados em acompanhar o processo, no Brasil, há um site em português no endereço: www.iy2kcc.org. O site nacional do bug do milênio é www.a2000.gov/br/portal/a2000/index1.htm.
"Não esperamos nenhum problema no Brasil", disse ele à Agência Estado, na última entrevista coletiva que deu sobre os preparativos feitos nos 107 países que trabalharam nos últimos meses com o IY2KCC.
"A América do Sul e a América Central são a região do mundo em desenvolvimento que melhor se prepararam e não espero que nada de significativo acontença, seja na infra-estrutura, seja nos sistemas de empresas e dos mercados", afirmou McDonnell.
"Faremos um acompanhamento imediato, durante a rolagem, e continuaremos a monitorar a situação por duas ou três semanas, pois acreditamos que pode haver problemas como variação de voltagem em sistemas elétricos durante esse período, mas nada que os consumidores perceberão", acrescentou.
McDonnell esclareceu que, em todo o mundo, "os computadores são mais usados no lado administrativo do que no lado operacional das usinas elétricas e nos sistemas de distribuição de água".
"Tivemos um nível sem precedentes de cooperação internacional e achamos que o mundo está, em sua maior parte, pronto para enfrentar o bug do ano 2000", disse ele. "Espero poucos problemas, se houver algum".
Segundo o diretor do IY2KCC, nos países industralizados, que dependem mais de sistemas informatizados, o trabalho preventivo foi realizado e concluído a tempo mesmo em países que se atrasaram, como o Japão. "As nações menos desenvolvidas prepararam-se menos, mas são menos vulneráveis porque têm um grau bem inferior de integração das tecnologias de automação de sistemas em suas atividades."
McDonnell disse que são praticamente nulas as chances de falhas na rede de satélite de telecomunicações em órbita, pois estes não carregam equipamentos que poderiam ser afetados pelo bug do ano 2000, e que os problemas potenciais detetados em estações terrenas foram tratados a tempo na maioria dos países.
O fato de as bolsas e a maioria dos negócios estarem fechados, com seus computadores desligados na passagem do ano, reduz o espaço para problemas, lembrou ele.
"Teremos os primeiros testes nas bolsas do Cairo, do Kuwait e de outras capitais do Oriente Médio, que abrem no domingo, mas não estamos prevendo problemas", disse.
Mas McDonnell evitou fazer previsões sobre o possível impacto do bug sobre o comércio internacional. "A interrupção das operações dos portos nos minutos anteriores e posteriores à meia-noite, que vários países anunciaram, é prudente", disse ele. "É a primeira vez que temos um evento global dessa magnitude e não há como fazer previsões nessa área, mas estamos razoavelmente confiantes."
Quais os países que mais preocupam o IY2KCC? "Acompanharemos com especial atenção a Rússia e os países da Europa Central", disse ele. A Coréia do Norte e o Afeganistão não participaram do processo de coordenação do IY2KCC e, por isso, também serão observados. "No Afeganistão praticamente não há sistemas computadorizados", disse McDonnell. "Na Coréia, onde há sistemas informatizados de armas, não tivemos a possibilidade de participar dos preparativos mas sabemos que os países vizinhos, como a Rússia, a China e o Japão, trabalharam com o governo - e, além disso, é preciso lembrar que não são computadores, mas pessoas que são responsáveis pela ativação dessas armas."
No resto do mundo, McDonnell disse que que a China e os países tecnologicamente mais avançados estão prontos ara o bug do ano 2000. "Mas a Indonésia pode ter problemas, porque os eventos políticos dificultaram os preparativos."





