Rio, 14 (AE) - O prejuízo das empresas americanas que tiveram seus sistemas de computador invadidos por hackers chegou a US$ 40 bilhões no ano passado. O dado foi divulgado hoje pelo ex-chefe Antiterrorismo da CIA, órgão de inteligência americano, Vincent Cannistraro, durante seminário para 80 funcionários de seguradoras e bancos. Cannistraro, que dirige um escritório de segurança eletrônica nos Estados Unidos, veio ao Brasil alertar as empresas da importância de sistemas de proteção de dados.
Para calcular os prejuízos, bancos e seguradoras levam em conta as quantias desviadas. Mas em laboratórios, por exemplo
de quem os hackers roubam fórmulas em vez de dinheiro, as empresas consideram gastos em pesquisa, custo de mão de obra e a expectativa de lucro da companhia com aquele produto para estimar os danos.
"Posso assegurar que 99% dos furos poderiam ser impedidos com controles básicos de acesso, instalação de programas de segurança e monitoramento", afirmou o técnico Joseph Patanella, ex-oficial da agência nacional de segurança americana (NSA), que partipou do seminário. "Para ter 100% de segurança, só tirando o computador da tomada".
Invasões a instituições finaceiras são pouco divulgadas, segundo os técnicos, para evitar a imagem entre os investidores de que a segurança da empresa é falha. "Todo grande banco americano perde diariamente US$ 1 milhão eletronicamente", afirma Patanella. Ele lembra que nem bancos como o Citibank estão livres de sofrer invasões de hackers. "Um russo foi condenado este ano por ter desviado US$ 10 milhões do Citibank, em 1994", contou. "Ele criou uma conta fictícia e quando havia alguma transação financeira ele transferia um pouquinho para sua conta; levou quatro meses para o golpe ser descoberto".
Segundo o técnico, a maior parte dos ataques ao sistema de computadores é feito dentro da empresa. "Na maioria das vezes, os hackers são funcionários insatisfeitos", diz Patanella.

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