Curitiba - O especialista e consultor internacional para construção de barragens e hidrelétricas, Nelson Luiz de Souza Pinto, disse ontem que a barragem da usina hidrelétrica de Salto Caxias, da Copel, não oferece riscos e é extremamente segura. Pinto já analisou a fissura da usina, à pedido da Copel, e concluiu que o vazamento de água é mínimo e não justifica uma intervenção drástica como o esvaziamento do lago. A denúncia da fissura na usina foi feita pelo governador Roberto Requião na reunião com o secretariado da última terça-feira.
Já o ex-presidente da Copel e consultor da área de energia, João Carlos Cascaes, defende uma auditoria independente na estatal para apurar responsabilidades pela construção porque ''é inegável que houve incompetência durante a construção e a população precisa de uma satisfação'', justificou. A usina localiza-se no município de Leônidas Marques (78 km ao sul de Cascavel).
A trinca na barragem já é fato conhecido desde 1999, quando a usina de Salto Caxias foi inaugurada, disse Pinto. A trinca é vertical e atravessa todo o corpo da barragem. Segundo o especialista, ela apareceu antes do preenchimento do reservatório, provavelmente por variações de temperatura.
De acordo com o especialista, o maciço da barragem foi construído em juntas, formando blocos independentes. Cada junta foi reforçada com vedajuntas que impedem a passagem da água. ''A trinca foi como se aparecesse uma outra junta não planejada, só que sem o vedajunta'', explicou.
A vazão da água que escorre pela trinca, um indicador da segurança do projeto, segundo o especialista, aponta para uma redução. Em 1999, quando a usina foi inaugurada vazavam 10 litros de água por segundo. Com as injeções de concreto, reduziu para menos de quatro litros por segundo.
Segundo Pinto, com esse nível de vazamento não se justifica os custos de uma impermeabilização da fissura que exigiria o esvaziamento do lago, o que seria inviável porque ele não foi projetado para ser esvaziado.
Outra alternativa seria fazer um trabalho subaquático, mas que também sairia caro e o investimento não compensaria o custo do monitoramento que vem sendo feito pelos técnicos da Copel.
Para o especialista, quase todas as obras de concreto apresentam rachaduras porque o material resiste muito mal à tração. ''É fácil aparecer tensões e trincas em quase todas as obras à base de concreto, sem que ocorra comprometimento de estruturas. Do contrário muitas obras estariam desabando'', afirmou.
Segundo a Copel, das 17 usinas existentes no Paraná, essa é a única que apresenta fissuras. Para o ex-presidente da Copel, Cascaes, a usina foi construída numa fase muito ruim para a empresa, quando o governo estadual queria privatizá-la. Ele acredita que houve descaso com a empresa e essa ''pode ser uma das justificativas para esse tipo de acidente'', afirmou.

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