Rio- Diante da explosão do avião junto ao prédio da TAM Express, o especialista em análise de acidentes e controles de emergência da Coordenação dos Programas de Pós-graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), Moacyr Duarte, descartou a falta de grooving (ranhuras no asfalto da pista) ou problemas de frenagem como prováveis causas do acidente. ''É possível dizer o que não aconteceu. Uma colisão daquela magnitude não tem a ver com ranhuras nem processo de frenagem.
O freio é acionado no último estágio do processo de parada. O avião passou muito rápido, chegando no final da pista com muita energia, suficiente para cruzar a avenida. Nessa velocidade, frear não adiantava nada. Se tivesse derrapado, o avião não teria atingido o prédio daquele jeito. Teria escorregado pela rampa e se arrastado pela avenida deixando um rastro até atingir o prédio por baixo'', explicou.
Para o especialista, se o acidente tivesse acontecido num aeroporto com maior área de escape ou com a pista mais longa, o número de mortos poderia ser menor. ''Certamente facultaria ao piloto outras manobras e essa colisão violenta não teria ocorrido. O que matou as pessoas foi o impacto no prédio''. Por isso, ele é a favor de um novo aeroporto para a capital paulista. ''É um gesto de coragem, porque acabou de ser feito um grande investimento, mas as autoridades precisam integrar ao planejamento o risco social de um aeroporto naquele local. Até agora, prevaleceu a comodidade'', argumentou. Para ele, Congonhas poderia ter um tráfego menor, recebendo aeronaves de menor porte.
O piloto e professor de Ciências Aeronáuticas Marcus Reis, coordenador do Instituto do Ar da Universidade Estácio de Sá, no Rio, concorda com Duarte, inclusive sobre os interesses políticos e econômicos que seriam contrariados com o fechamento de Congonhas ao tráfego aéreo pesado. ''Quem vai ter peito para fechar Congonhas? Um novo aeroporto demora a ser construído. Guarulhos já está saturado também. Vemos que há uma pressão da própria sociedade diante das filas que já estão acontecendo com o caos aéreo'', observou.
Para Reis, que como piloto já pousou centenas de vezes em Congonhas, o grau de dificuldade da pista é baixo. Mesmo assim, ele não afasta a hipótese de um erro do piloto. ''Ninguém é super-homem e está livre de errar. O adensamento urbano em torno do aeroporto é que se tornou o perigo. Sem espaço, qualquer emergência provoca uma tragédia'', disse. Segundo o professor, as gravações de rádio em que pilotos e controladores falam sobre a pista escorregadia com a chuva do dia do acidente não significam que faltava segurança para pousos.

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