Especialista defende a inclusão
Um dos maiores experts em reabilitação, o consultor técnico Romeu Kasumi Sassaki, que atua há 40 anos nas áreas de reabilitação profissional, emprego apoiado, educação inclusiva e vida independente para entidades e órgãos governamentais, acredita que apesar da sociedade demonstrar preconceito em situações inusitadas, ela também é capaz de mudar. Se comparado há dez ou 20 anos, hoje está bem melhor, mas isso não significa que todos os deficientes estejam trabalhando. Para cada vaga disponível no mercado, as pessoas deficientes que tenham passado por uma profissionalização têm, no mínimo, cinco vezes menos chances de obter essa vaga, comparando com candidatos não deficientes, diz.
Sassaki defende um processo de inclusão dos deficientes no sistema educacional e no mercado de trabalho, que parte do pressuposto de que eles têm que ser inseridos dentro de escolas e empresas normais, ou seja, despreparadas para o convívio com elas. A experiência já está sendo implantada pela Secretaria de Educação do Estado de Goiás, que decidiu implementar as escolas inclusivas por etapas, sem traumatizar os dois sistemas educacionais vigentes, o regular e o especial. A previsão é que até 2002 25% das 1,3 mil escolas estaduais tenham adotado o sistema inclusivo.
O governo do Paraná também estuda a possibilidade de adotar o mesmo método. Após um primeiro contato com o consultor, no dia 15 deste mês, Sassaki estará em Curitiba, a convite do governo, para apresentar sua proposta a órgãos governamentais, empresas e entidades multiplicadoras, como Senac e Senai. Hoje a Secretaria Estadual de Educação mantém três tipos de ensino para deficientes: em escolas especiais, em salas especiais dentro de escolas normais e em salas mistas. Ela atende cerca de 50 mil alunos com deficiências, sendo 35 mil através de convênios com organizações não governamentais, como as APAEs, repassando mensalmente R$ 2,7 milhões a estas entidades. (M.G.)





