Especialista critica projeto de transposição do São Francisco
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domingo, 20 de fevereiro de 2000
Por Eugênio Melloni 
São Paulo, 21 (AE) - A transposição do Rio São Francisco
projeto de R$ 3 bilhões que o governo pretende tirar do papel neste ano, tem tudo para se transformar em mais um fracasso faraônico na tentativa de domar os efeitos da seca no Nordeste. Essa é a opinião de Aldo Rebouças, professor aposentado da Universidade de São Paulo e um dos maiores especialistas no assunto.
O Ministério da Integração Nacional está intensificando contatos políticos para vencer a resistência dos Estados nordestinos que são servidos pelo rio - Bahia, Alagoas e Sergipe
principalmente. O objetivo é fazer com que as verbas previstas no Orçamento da União deste ano, de R$ 40 milhões, sejam elevadas a até R$ 100 milhões. O governo já escolheu os futuros administradores do projeto: a Companhia para o Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf) e o Departamento Nacional de Obras contra a Seca (Dnocs).
De acordo com Rebouças, porém, o rio, que já é utilizado para projetos de irrigação, geração hidrelétrica de energia, pesca e turismo, não comportaria mais uma aplicação. "Calcula-se que, descontados todos esses usos, haveria um excedente de 2 mil metros cúbicos por segundo das águas do rio"
afirma Rebouças. "Ocorre que esse excedente existe porque a grande massa dos municípios ribeirinhos não tem um sistema de saneamento básico decente." De acordo com o projeto, a transposição será feita por meio de dois eixos de canais a serem construídos. O canal principal, batizado de eixo norte e dimensionado para transportar até 99 metros cúbicos por segundo, sairia do rio de um ponto próximo a Cabrobó (PE) para alimentar rios e açudes de Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.
O outro canal, o eixo leste, com capacidade de 28 metros cúbicos por segundo, sairia da barragem da hidrelétrica de Itaparica para atender Pernambuco e Paraíba. Segundo Rebouças, o sistema poderá criar problemas: ou a maior parte dos 7 milhões de pessoas beneficiárias da transposição verá a água passar pelos canais, sem poder dispor dela, ou fará ligações "clandestinas", reduzindo a vazão.


