São Paulo- Mais importante do que a discussão sobre quem deve controlar o setor aéreo no País é a questão da transparência quanto à captação e aplicação dos recursos na área e a execução de um planejamento de longo prazo para ampliar a infra-estrutura da aviação e atender a uma demanda de passageiros que pode triplicar nos próximos 20 anos. Essa é a opinião do especialista em setor aéreo da Bain & Company, André Castellini, que não atribui a recente crise a uma questão de hierarquia, mas destaca que, fora das estruturas militares, seria mais fácil conceder aumentos salariais aos controladores de vôo.
''Vejo uma vantagem no controle civil na questão da remuneração dos controladores, que poderia ser gerenciada sem grandes repercussões. A remuneração entre os militares deve seguir uma coerência entre todas as Forças Armadas, e isso amarra o processo'', argumentou Castellini.
Embora a maior parte dos países tenha separado as áreas de defesa e controle aéreo, a infra-estrutura de radares é única e compartilhada, como no Brasil. Castellini admitiu, entretanto, que qualquer mudança requer planejamento prévio e de longo prazo. ''Não é fácil de viabilizar, mas tem de ser feito. Nossa previsão é que a demanda do mercado brasileiro triplique em 20 anos. Isso depende, porém, da evolução da infra-estrutura aeroportuária e do tráfego aéreo. Seria uma pena que o mercado não se desenvolvesse por esse tipo de gargalo'', disse.
Para o consultor, não faltam recursos para o setor. ''As tarifas pagas pelos passageiros e companhias aéreas brasileiras são mais altas do que em outros países'', informou. Segundo ele, não há motivos para que o Brasil não tenha um serviço de tráfego aéreo de qualidade e para que os controladores não sejam remunerados de forma adequada. ''Não faltam recursos. Falta fazer com que os recursos das tarifas pagas pelos passageiros e das empresas sejam utilizados para construir aeroportos e desenvolver o tráfego aéreo do País.''

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