A recém-criada e já polêmica Lei Seca está causando controvérsias entre os especialistas e até com quem não é do ramo. O próprio apelido é alvo de críticas do enfermeiro psiquiátrico e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) David Roberto do Carmo, que é doutor em saúde mental pela Universidade de São Paulo (USP). Para ele, o nome não é adequado porque o uso de bebida alcóolica não é proibido.
''O termo Lei Seca é pejorativo. Talvez Tolerância Zero seja mais adequado. Mas é importante destacar que a lei não impede ninguém de beber'', ressalta Carmo. O foco, segundo ele, deveria ser mostrar o lado positivo do consumo responsável e estimular atitudes como o rodízio de motoristas ou uso do táxi.
Apesar de muitas vozes terem se levantado contra a nova legislação, o enfermeiro avalia que a Lei Seca deve ''pegar''. ''Acredito que se tivermos a imprensa mostrando o lado positivo, provavelmente a lei vai prosperar'', opina.
Ele informa que uma concentração de seis decigramas de álcool por litro de sangue - limite estabelecido pela legislação - já é suficiente para que o motorista perca a noção de distância e de velocidade. A consequência são índices como os 70% das 36 mil mortes por acidente em 2006 estarem relacionadas ao consumo de álcool. Os dados são da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego.

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