Ao longo da vida, uma pessoa consome, em média, 14 mil doses de medicamentos. Parte dessas doses são ministradas em ambiente hospitalar, onde os pacientes ficam sujeitos ao uso inapropriado de remédios, problema mais comum do que se pode imaginar. Estudo publicado em 2013 pela revista norte-americana "Patient Safety" aponta que cada paciente é vítima de pelo menos quatro erros de medicação por dia durante o período de internamento. O alerta é feito pelo coordenador da Farmácia Clínica do Hospital Israelita Albert Einstein, Fabio Teixeira Ferracini, que esteve ontem em Londrina para aula especial aos alunos do curso de pós-graduação de Farmacologia Clínica e Farmacoterapia da UniFil.
Muitos desses erros passam despercebidos, como a ministração de doses pouco abaixo ou levemente acima do prescrito. Os casos notórios são aqueles que deixam sequelas graves ou levam a óbito. "É muito difícil reduzir a taxa de erro de medicação. Os esforços devem ser no sentido de baixar o nível de gravidade do erro", declarou Ferracini.
A tecnologia é uma grande aliada nesse processo, afirma o farmacêutico, que ressalta os benefícios trazidos pelo avanço da informatização nos hospitais. Mas outras práticas podem colaborar fortemente na redução dos níveis de erros de medicação. No Albert Einstein, em São Paulo, uma medida que se revelou bastante eficaz foi o uso de uma ferramenta chamada Positive Deviance, que inverte a pirâmide nas organizações hospitalares, conferindo poderes de decisão a quem está na ponta do processo, desde o paciente até técnicos de enfermagem e técnicos de farmácia. "As boas ideias podem ser implantadas e cabe à gestão viabilizar recursos", disse Ferracini. Em 2014, 285 ações propostas pelos funcionários da base da estrutura organizacional foram implantadas no hospital. "Com essas boas ideias, conseguimos atingir a meta de erros de medicação no Einstein."
Longe dos hospitais, no entanto, o paciente não está livre dos erros de medicação, que podem começar no balcão da farmácia e se estender até a casa do doente. "Se a letra do médico não está legível o balconista da farmácia pode se confundir e vender um medicamento errado e outra grande questão são as embalagens semelhantes adotadas pelos fabricantes, que levam ao engano. O uso de medicamento sem prescrição médica e o armazenamento incorreto dos remédios também causam erros de medicação", destacou Ferracini.

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