Especialista alerta para adaptação
Especialistas criticam o capítulo dedicado aos acessórios do Código de Trânsito Brasileiro, que passam a ser obrigatórios para todos os veículos até 1º de janeiro de 1999. Eles acham que as adaptações podem ser perigosas.
O presidente da Associação Brasileira de Acidentes e Medicina de Tráfego (Abramet), Fabio Racy, acha que os acessórios só são benéficos se originais. Um encosto mal-colocado em vez de servir de anteparo pode contribuir para o impacto em casos de colisão. Nos casos dos cintos é ainda pior: um modelo fixo poderia causar uma lesão mais grave do que se o passageiro de trás não estivesse com o acessório. Evitem as empresas de fundo de quintal, que estão apenas preocupadas em cumprir o código, recomenda. Racy observa que equipamentos importantes ficaram de fora durante a elaboração do código. Para não privilegiar determinados fabricantes o air-bag, os limpadores de pára-brisas e desembaçadores traseiros nem foram citados.
O diretor-superintendente do Instituto Nacional de Segurança no Trânsito, Roberto Scaringela, acredita que a determinação dos cintos de três pontos nos bancos de trás só deveria vigorar nos veículos novos. Nos carros antigos deve continuar o cinto abdominal, diz. O contrário é algo inseguro porque a ancoragem faz parte da estrutura do carro. O especialista diz ter ficado negativamente surpreso com a possibilidade de o governo credenciar oficinas mecânicas para fazer laudos técnicos, o que representaria perigo para os motoristas.
O diretor do Centro de Psicologia Aplicada ao Trânsito (Cepat), Salomão Rabinovic, acha absurda a exigência dos cintos de três pontos nos bancos de trás, o que, na prática, limita os assentos a duas pessoas. Ele tem feito contato com a Volkswagen para que a empresa passe a colocar o espelho retrovisor direito nos modelos mais básicos. O código foi aprovado em setembro e as montadoras tiveram tempo de fazer as adaptações.





