Espanhola Repsol promete integrar ativos na AL à YPF
Buenos Aires, 07 (AE-DOW JONES) - A espanhola Repsol enviou carta ao governo da Argentina, informando que, se conseguir o controle da YPF, vai integrar todos os seus ativos latino-americanos na petroleira argentina. Uma cópia da carta, datada de quinta-feira, foi obtida pela agência Dow Jones.
A Repsol planeja lançar uma oferta de US$ 13,44 bilhões pelos 85,01% da YPF que ainda não possui. A Repsol condicionou a concretização da oferta à obtenção de 50% mais uma ação da YPF.
"Temos uma proposta de integrar à YPF todos os ativos da Repsol na América Latina, criando assim uma nova companhia mais forte e mais robusta, que, como se sabe, manterá sua sede fiscal e corporativa em Buenos Aires e estenderá sua bandeira pela região", afirma o chairman da Repsol, Alfonso Cortina, na carta enviada ao ministro da Economia, Roque Fernández.
Cortina diz ainda que a Repsol venderia ou trocaria por outros ativos cerca de 800 pontos de gasolina e uma refinaria na Argentina para que não fique com uma posição dominante no mercado local de energia. Esses ativos são semelhantes aos mantidos pela Astra Capsa, outra companhia argentina de energia que tem 65,9% de seu controle em mãos da Repsol. A companhia espanhola informou que vai fundir a YPF e a Astra se sua oferta pela YPF for bem sucedida.
A YPF é a maior operadora de postos de gasolina na Argentina, enquanto a Astra possui a cadeia local de postos EG3 SA. Na carta, Cortina afirma que a companhia permanece "aberta a sugestões adicionais" das autoridades reguladoras sobre a venda de ativos para evitar "uma indesejável posição dominante".
"Os caminhos para realizar a integração destas atividades ainda não foram definidos, mas podemos adiantar que, em qualquer caso, não vamos executar nada antes de informarmos o governo", prossegue a carta. Continuam a circular rumores sobre os planos da Repsol após a oferta de compra da YPF e a suposta reação do governo aos mesmos.
Ontem, o subsecretário de Bancos e Seguros, Alejandro Quiroga Lopez, disse que o governo será contrário a uma fusão Astra-YPF por temer "o aumento da participação da YPF" no mercado de petróleo doméstico. O governo detém 5,3% da YPF e deu à Repsol o sinal verde para obter o controle da maior companhia argentina. O governo ainda possui a chamada "golden-share" (participação estratégica) na YPF que confere certos poderes de veto, incluindo o direito de impedir uma fusão.





