Espanhóis saem às ruas para protestar contra a ETA
Madri, 23 (AE-AP) - Dezenas de milhares de espanhóis participaram hoje (23) de manifestações silenciosas de protesto em todo o país contra a organização separatista basca ETA (Pátria Basca e Liberdade), acusada de atentado a bomba no dia anterior que matou, em Vitória (capital basca) um líder socialista basco e seu guarda-costas. Os partidos políticos suspenderam a campanha política para as eleições gerais de 12 de março e enviaram mensagens de pesar às famílias das vítimas - Fernando Buesa, de 53 anos, secretário-geral do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) e seu guarda-costas, José Diez Alorza, de 27.
A ETA não assumiu a autoria da explosão, que ocorreu num estacionamento perto da Universidade de Vitória e a cerca de 200 metros do Palácio do Governo do País Basco.
Os manifestantes carregavam cartazes pedindo o fim da violência e o restabelecimento imediato da trégua que o grupo separatista basco rompeu no início de dezembro, depois de 14 meses. O atentado de ontem foi o segundo atribuído este ano aos separatistas bascos. Em 21 de janeiro, um tenente-coronel do Exército também morreu em consequência da explosão de uma bomba em Madri, provocando indignação em toda as regiões da Espanha, incluindo o País Basco.
A iniciativa de suspender a campanha política partiu do primeiro-ministro José María Aznar, chefe do conservador Partido Popular (PP). Sua decisão foi logo seguida pelas lideranças das outros partidos. Em discurso por uma rede de televisão, Aznar disse que não cederá diante da "chantagem terrorista". Seu rival na campanha eleitoral, o líder socialista Joaquim Almunia, destacou que as mortes fortalecem a determinação da Espanha de lutar contra a ETA. Almunia vinha criticando Aznar por "não conseguir manter vínculos com os nacionalistas bascos moderados".
Os analistas acreditam que os debates políticos vão centralizar-se agora na questão basca. As pesquisas de opinião indicam uma acirrada disputa eleitoral: o PP, de Aznar, leva pouca vantagem sobre o PSOE, de Almunia.
Além de provocar reação de repulsa na maioria esmagadora dos espanhóis, a ETA está se isolando politicamente com a retomada da campanha terrorista. Um sinal disso foi o rompimento do primeiro-ministro do País Basco, Juan José Ibarretxe, de um controvertido pacto com o Euskal Herritarrok braço político da ETA. Num comunicado oficial, o Euskal Herritarrok "lamentou" a perda de vidas, mas evitou criticar o grupo separatista. Ao contrário, atribuiu o ataque ao que classificou de "falha coletiva dos políticos".
O ministro do Interior espanhol, Jaime Mayor Oreja, exortou os partidos bascos moderados a afastarem-se do Euskal Herritarrok. O presidente do Partido Nacionalista Basco, Xavier Arzallus, expressou "profunda tristeza" pelas mortes, mas recusou-se a fazer comentários sobre as consequências do episódio sobre o eleitorado regional.
Yoko Ono, viúva do beatle John Lennon, participou da concentração popular de Vitória, onde alguns manifestantes chegaram a gritar: "Aznar, faça alguma coisa."
O atentado foi condenado pelo rei Juan Carlos, que faz visita oficial a Washington. O porta-voz do Departamento de Estado, James Rubin, manifestou a indignação do governo americano. "Os responsáveis por esse horrível crime precisam ser levados à Justiça."
Na França, um líder da ETA, Javier Arizkuren Ruiz, foi sentenciado a oito anos e meio de prisão por uma corte parisiense. Conhecido como "Kantauri", ele foi considerado culpado por associação criminal com "grupos terroristas". Kantuari foi detido no ano passado depois de investigações sobre sua suposta participação em 18 assassinatos durante a guerra sangrenta promovida pela ETA. Outros 12 membros do grupo separatista receberam sentenças de prisão que variam de dois a 10 anos.





