Espanhóis preferem excluir palavra "reconquista"4/Mar, 18:00 Por Vladimir Goitia São Paulo, 4 (AE) - "Não se trata de uma reconquista espanhola, já que não é a Espanha que invadiu a América Latina. São companhias que estão ocupando espaços, as quais, de alguma forma, vão transformar-se em empresas nacionais com capital espanhol", refuta Córdoba, ao ser indagado sobre o novo passo dos espanhóis em território latino-americano, depois de Cristovão Colombo. Para refutar ainda mais o tom pejorativo dado à "reconquista espanhola", Córdoba explica que, de cada 1.000 funcionários em uma companhia adquirida por alguma empresa da Espanha, apenas cinco são estrangeiros, dos quais nem todos espanhóis. "É claro que nos dois primeiros anos o número de executivos espanhóis é maior, mas isso acaba diluindo-se depois de acertadas as diretrizes da companhia", afirma. "Se fizéssemos uma comparação, mesmo que superficial, entre o número de jogadores brasileiros atuando na Espanha, com salários volumosos, e o número de excutivos nas companhias espanholas, acho que o Brasil ganharia", ilustra Córdoba. O diplomata explica ainda que, dentro de todo esse processo de internacionalização das companhia espanholas, é preciso levar em conta a evolução econômica da Espanha. "Nos anos 50, o país foi apenas receptora de capital. Hoje vivemos uma segunda fase de industrialização, onde as empresas precisam apostar em outros países por causa, também, de seu alto volume de capitalização." Córdoba acrescenta que essa nova fase espanhola coincidiu com o processo de privatizações no Brasil e em toda a América Latina. "Essa aposta permitiu às empresas espanholas conhecer o mercado e a forma de fazer negócios. Isso explica porque elas estão controlando hoje segmentos-chave da economia latino-americana", afirma Michael Mortimore, da Cepal. Mas existem ainda outros fatores que influenciaram na viagem de volta -- desta vez com dinheiro na mão -- dos espanhóis à América Latina. É cada vez mais visível e numerosa a classe média latino-americana com igressos médios de US$ 50 mil por ano. Pesquisa recente da Strategy Research, dos Estados Unidos, concluiu que esse é um dos principais fatores que influenciaram os espanhóis na sua decisão de desembarcar no Continente 500 anos depois de seu descobrimento. "Elas (as empresas) não têm necessidade, por exemplo de mudar muito as suas campanhas publicitárias", diz a Strategy Research, que aposta na expansão da riqueza do mercado hispano-americano no próximo milênio. "Acredito que os investimentos espanhóis na América Latina vão continuar, talvez não de forma tão espetacular quanto os dos últimos três anos, mas continuarão sendo expressivos", afirma Córdoba.