São Paulo, 21 (AE) - A União Européia pode sair em breve do impasse no qual mergulhou sobre o mandato que a Comissão Européia (órgão executivo) precisa para iniciar as negociações de uma zona de livre comércio com os países do Mercosul. Uma proposta apresentada hoje de manhã pela Espanha ao Conselho de Ministros de Relações Exteriores em Luxembugo para que essas negociações (redução tarifária e eliminação de barreiras na área de serviços) possam começar no ano 2001 foi bem recebida pela maioria dos páises europeus, inclusive a França.
O ministro francês, Hubert Vedrine, pediu, entretanto, um tempo para consultar o seu governo. Os outros 14 ministros mostraram-se dispostos a aceitar a nova fórmula que fica entre a proposta alemã (iniciar as negociações no próximo ano) e da França, Inglaterra e Irlanda (começar só em 2003). Para o vice-presidente da Comissão Européia, o espanhol Manuel Marín, o q ue existe no momento é um problema de "ordem psicológica mais do que de conteúdo" na posição de alguns países da UE para dar o sinal verde ao mandato negociador. Se a fórmula for mesmo aceita, os chefes de Estado e de governo europeus chegarão ao Rio de Janeiro, no próximo domingo, pelo menos com alguma proposta e não mais de mãos vazias.
Acertada a data do início das negociações, os ministros europeus terão menos trabalho para definir a pauta e diretrizes das negoiações que pretendem iniciar com o Mercosul. Vir ao Rio sem proposta alguma seria constragedor para os 15 países mebros da UE. Embora a posição do Mercosul seja o do sistema "single undertaking" (tudo se negocia e tudo terá de ser aprovado), a UE deve aceitar negociar a questão agrícola, excluindo, entretanto, produtos mais sensíveis considerados por alguns dos membros. A França, por exemplo, teme que algumas exportações lati no-americanas, como açúcar, cereais e carne, prejudiquem o seu mercado.

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