Espanha prende nove supostos etarras
Madri, 10 (AE-REUTERS) - A polícia espanhola prendeu nove supostos membros do grupo separatista basco ETA (Pátria Basca e Liberdade) nesta quarta-feira (10), causando o segundo duro golpe contra os separatistas bascos em menos de 24 horas, informaram funcionários.
As últimas detenções no País Basco, apenas um dia depois de um suspeito de ser o chefe militar da ETA ser preso na França, foi a mais dura ação contra a organização considerada fora da lei desde que esta declarou um cessar-fogo unilateral em setembro último.
Políticos espanhóis comemoraram as prisões, considerando-as como um modo de manter a pressão para que a ETA declare um fim "definitivo" para sua campanha armada de 30 anos que custou mais de 800 vidas.
Mas nacionalistas bascos, que ajudaram a persuadir a ETA a silenciar suas armas, demonstraram preocupação de que as prisões possam fazer com que os guerrilheiros rompam sua trégua indefinitiva.
Funcionários espanhóis disseram que as prisões desta quarta-feira marcam a desarticulação do chamado Comando Donosti - o mais violento e sangrento da ETA, responsável por uma série de assassinatos de políticos do Partido Popular, do primeiro-ministro José María Aznar.
A operação policial - desencadeada algumas horas depois da detenção nos arredores de Paris de José Javier Arizcuren, apelidado de "Kantauri", considerado o chefe militar da ETA - ocorreu de forma simultânea nas cidadas bascas de San Sebastián, Rentería, Hernani e Itsasondo.
Numa ação combinada, os agentes invadiram de madrugada casas e apartamentos e prenderam Sergio Polo e Kepa Echeverría, líderes do comando, e mais sete etarras sem passagem pela polícia. Aparentemente, não houve resistência.
Segundo o Ministério do Interior da Espanha, essa operação nada teve a ver com a ocorrida no dia anterior na França. "Não houve troca de informações entre as duas polícias neste caso", disse um porta-voz. "Há vários dias, vínhamos acompanhando as atividades dos extremistas presos na madrugada de hoje."
O Comando Donosti é acusado da campanha de assassinatos, no ano passado, de vereadores e prefeitos do PP nas províncias bascas de Guipúzcoa e Vizcaya e em Navarra. Na blitz de Paris, foi detida também a etarra Irantxu Gallastegui Sodupe, acusada do sequestro e assassinato em julho de 1997 de Miguel Angel Blanco, vereador de Ermua.
A morte de Blanco provocou uma onda de protestos contra a violência etarra em toda a Espanha - incluindo o País Basco - que mobilizou, em vários dias, mais de 6 milhões de pessoas.





