Madri, 17 (AE-AP) - O juiz de instrução espanhol Baltasar Garzón, que emitiu a ordem de prisão internacional contra o ex-ditador chileno Augusto Pinochet e pretende julgá-lo por crimes contra a humanidade cometidos durante seu regime, de 1973 a 1990, enviou nesta segunda-feira (17) a Londres uma petição para submetê-lo a exames por médicos espanhóis.
O governo espanhol, que tinha anunciado que não encaminharia à Justiça britânica nenhum pedido que pudesse interferir na decisão de Straw, recuou de sua posição e deu tramitação ao recurso de Garzón.
Ainda hoje, o chefe da equipe de especialistas médicos que examinou Pinochet, John Grimley Evans, desmentiu as declarações feitas pelo ministro do Interior britânico, Jack Straw, no Parlamento, segundo as quais a conclusão dos exames era a de que o general não tinha condições clínicas de enfrentar um julgamento.
"A decisão sobre o destino de Pinochet está fora de nosso campo de competência e fora de nossa responsabilidade", disse Evans, professor da Universidade de Oxford, em declarações publicadas domingo pelo jornal britânico The Observer.
O médico, um dos geriatras mais respeitados pela comunidade científica, afirmou ainda que Pinochet poderia até recuperar-se completamente dos males que o afetam, embora essa possibilidade seja pequena. "Nada em medicina é 100% seguro; temos de levar em conta várias possibilidades."
Afirmando que os médicos tinham chegado à conclusão "inequívoca e unânime" de que Pinochet "está, atualmente, incapaz clinicamente de enfrentar um julgamento e uma mudança nesse quadro não é esperada", Straw informou ao Parlamento britânico que era "favorável" à interrupção do processo de extradição do ex-ditador para a Espanha.
O prazo dado por ele para acatar recursos das partes envolvidas - principalmente Espanha e Chile - encerra-se amanhã. "A equipe médica limitou-se a informar sobre fatos médicos", rebateu Evans. "Não nos cabe afirmar que esses fatos permitem ou não decretar a incapacidade de alguém para ser julgado."
Atendendo a um pedido de sigilo médico dos defensores de Pinochet, a Justiça britânica vedou a divulgação do texto do relatório.

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