Madri, 03 (AE-AP) - Com as forças de segurança em estado de alerta máximo diante da ameaça de atentados, centenas de milhares de espanhóis realizaram hoje (03) manifestações de protesto em toda a Espanha contra a ETA (Euskadi Ta Askatasuna - Pátria Basca e Liberdade).
O grupo rompeu domingo trégua de 14 meses, advertindo que retomaria "a luta armada na sexta-feira, para libertar o País Bascos".
Os espanhóis, incluindo os bascos, pediram à ETA, em manifestação silenciosa de 5 minutos, que reconsidere sua posição e adote o cessar-fogo definitivo. A organização extremista atribui a retomada da campanha de violência ao que classifica de intensificação da repressão contra seus dirigentes na Espanha e na França. E acusa as autoridades espanholas de "dar as costas à negociação da paz".
Em Vitoria, capital do País Bascos, milhares de pessoas apoiaram concentração convocada pelo governador basco, Juan Jospe Ibarretxe, sob o lema bakea behar dugu (precisamos da paz), diante do Palácio de Ajuria Enea (sede do governo). Participaram todos os partidos com representação no Parlamento local, incluindo o Herri Batasuna (HB, Povo Unido), apontado como braço político da ETA.
O governador, do Partido Nacionalista Basco (PNB), exortou os militantes da ETA a abandonar definitivamente a luta armada. Xavier Arzallus, presidente do PNB, fez um comentário pessimista: "A ETA jamais deu ouvidos às manifestações populares." O grupo extremista iniciou sua campanha de violência em 1968. Desde então, morreram 800 pessoas.
No plano político, o governo espanhol criticou duramente a forma como os partidos bascos moderandos encaram a questão do terrorismo, acusando-os de "dar asas" à ETA. No que classificou de "dinâmica suicida" e linguagem "absolutamente delirante", o porta-voz governamental Josep Piqué disse que as organizações bascas (partidos políticos, sindicatos e entidades empresariais) estão se deixando "contagiar pelo que definiu como "capacidade de equivocar-se da ETA".
Essas grupos formam o Pacto de Lizarra, que tenta negociar a paz com os extremistas. Eles divulgaram um documento reafirmando seu "firme e irrevogável compromisso com as vias de atuação democráticas e políticas para resolver a questão basca", mas evitaram exigir da ETA a troca das armas pelo diálogo. Esse documento constitui "enorme risco na medida em que faz os extremistas pensar que agem corretamente", ressaltou Piqué.
Por sua vez, o porta-voz do HB, Arnaldo Otegi, acusou o governante Partido Popular (PP) e o oposicionista Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) de "estimular a guerra". Segundo o líder nacionalista radical basco, as duas agremiações representam o que ele classificou de "refundação da falange espanhola".
Em Bayona (no País Basco francês), as repartições públicas foram interditadas hoje durante várias horas por causa de denúncias de bombas. A polícia francesa realizou minuciosa inspeção e nada encontrou.

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