Madri, 04 (AE-AP) - Espanha e Chile negaram hoje (04) que poderiam chegar a um acordo para libertar o ex-ditador chileno Augusto Pinochet. Na Grã-Bretanha - onde o ex-militar está sob prisão domiciliar -, advogados de grupos de direitos humanos tentam garantir que o general não será libertado se a Espanha retirar o pedido de extradição.
O governo espanhol insistiu que não mudou sua posição. "A decisão da Espanha é muito clara", disse um porta-voz do Ministério do Exterior espanhol. "Não há movimento para tirar esse processo de extradição da esfera da Justiça, a que ele pertence exclusivamente."
O assessor confirmou que o governo espanhol estava estudando o pedido do Chile para o caso ser arbitrado internacionalmente em vez de ir para os tribunais. Mas negou haver conversações secretas entre os dois países. "Temos mantido contatos permanentes com o governo chileno e claro que a imprensa não tem acesso a todas as conversas."
O ministro do Exterior do Chile, Juan Gabriel Valdes, também desmentiu a existência de negociações secretas.
Ontem, Baltasar Garzon, o juiz espanhol que quer julgar o ex-ditador, disse que as conversações com o Chile sobre uma possível arbitragem internacional do caso poderão interferir com o curso da Justiça. Garzon, que acusou Pinochet de ser o responsável pela tortura e morte de pessoas entre 1973 e 1990, também pediu mais informações sobre os contatos entre Madri e Santiago.
Fontes do governo espanhol informaram que a Espanha espera que a extradição seja de alguma forma bloqueada para dar ao país uma saída nesse embaraçoso dilema político.
O general, com 83 anos, está esperando o começo de uma audiência sobre a extradição no mês que vem, na Grã-Bretanha.
Em Londres, um advogado da Anistia Internacional pediu garantias de que o ex-ditador chileno fosse processado na Grã-Bretanha se as negociações levarem a Espanha a retirar o pedido de extradição.
Geoffrey Bindman disse que a obrigação britânica sob uma convenção internacional para processar Pinochet sobre os abusos contra os direitos humanos era maior do que a da Espanha, porque Pinochet estava em território britânico.
"Dessa maneira, Pinochet poderá ser preso imediatamente", explicou o advogado. Segundo ele, em 1988, o sistema de Justiça Criminal britânico incorporou a Convenção Internacional Contra a Tortura de 1984, em que os Estados signatários devem processar qualquer suspeito de tortura, não importando onde aconteceu o crime.
Autoridades britânicas informaram terça-feira que Pinochet não enfrentará acusações na Grã-Bretanha. "Se não há acusações e a Espanha encerrar o caso, não haverá razão para detê-lo", disse um assessor do Ministério do Interior britânico.
Mais de três mil pessoas podem ter sido mortas durante o governo de Pinochet e torturadas, um número maior. Joan Graces, um advogado que ajuda Garzon nesse caso, disse que a sugestão de arbitragem internacional entre o Chile e Espanha era ilegal e que os governos não poderiam interferir no caso.

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