Brasília- O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou ontem que, em conversa com o chanceler espanhol Miguel Ángel Moratinos em Madri, há duas semanas, alertou sobre o aumento de negação de ingresso a brasileiros no país e que Moratinos teria se comprometido a rever a maneira como ocorrem essas recusas.
''É um assunto que a gente tem que resolver e que pode acabar tendo impacto nas relações (entre os países)'', afirmou o chanceler, em Buenos Aires.
A conversa entre os dois chanceleres aconteceu antes de vir à tona o caso da física Patrícia Camargo Magalhães, deportada ao Brasil depois de 53 horas presa no aeroporto de Madri. ''É como se nós estivéssemos antevendo que isso poderia ocorrer'', disse.
Segundo Amorim, antes eram 20 ou 30 brasileiros que tinham sua entrada na Espanha negada a cada mês. Agora, de acordo com dados do Itamaraty, são oito por dia. Um aumento que ''não é normal'', diz o chanceler.
Outro pedido foi o de que os brasileiros tenham tratamento adequado. ''Não posso obrigá-los a aceitar as pessoas, não posso discutir os critérios, mas sim as consequências.''
O caso de Patrícia está sendo investigado pelo ministério e o tema deve voltar em breve à pauta das reuniões entre os dois países.
A Embaixada da Espanha no Brasil informou ontem que os brasileiros que chegam ao país recebem o mesmo tratamento de outros estrangeiros, previsto no Acordo de Schengen -assinado por Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, França, Finlândia, Grécia, Itália, Islândia, Noruega, Países Baixos, Portugal e Suécia.

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