Imagem ilustrativa da imagem "Espaço necessita de maior atratividade"
| Foto: Gustavo Carneiro
"É triste saber que tudo o que restou do Calçadão original foi apenas uma quadra. Mais triste ainda é ver o estado precário em que está", criticou a professora de Arquitetura e Urbanismo, Thamine Ayoub


A professora de Arquitetura e Urbanismo da Unopar, Thamine Ayoub, considera os espaços públicos como fundamentais para garantir vitalidade às cidades. Para ela, apesar de ter sofrido várias descaracterizações ao longo dos anos, o Calçadão de Londrina ainda cumpre este papel. "É um espaço pelo qual as pessoas têm fortes vínculos. Ali, diferente de espaços privados, todos os tipos de pessoas interagem. Isso enriquece a sociabilidade", analisa.
Thamine ressalta que mesmo com as criações de outros núcleos urbanos, o Calçadão se mantém como uma forte referência de lazer e consumo. "Antes havia apenas uma centralidade na cidade. Hoje, já temos várias regiões que suprem as necessidades dos moradores, como a Saul Elkind na zona norte, ou a Ayrton Senna, na zona Sul", relata. A arquiteta alerta, no entanto, que o Calçadão precisa de ações para evitar a degradação.
Moradora do centro, ela conta que o espaço perdeu um pouco da atratividade. "As mudanças desvincularam lazer de consumo. O Calçadão perdeu elementos importantes, como os quiosques, os cafés, que agora estão voltando. Hoje, não temos mais sombra para caminhar, o que também é um aspecto negativo", lista. Para ela, o centro precisa oferecer atrativos para se manter vivo. "Atraídos pelo marketing, as pessoas sonham em morar em outras regiões, o que provoca um esvaziamento na área central".
A quantidade de pessoas na rua, segundo ela, impacta diretamente em questões como a segurança. "Quanto menos pessoas circulando, maior a vulnerabilidade", argumenta. Além dos atrativos, Thamine cobra a manutenção no trecho tombado do Calçadão, entre a Avenida Rio de Janeiro e a Rua Minas Gerais. "É triste saber que tudo o que restou do Calçadão original foi apenas uma quadra. Mais triste ainda é ver o estado precário em que está. Com manutenção adequada, os dois pisos são bons. Alguém teria coragem de sugerir colocar paver em Copacabana porque uma pedra se soltou?", compara. (C.F.)

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