Esmalte de dente funciona como impressão digital
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2006
Silvana Guaiume<br>Agência Estado 
Piracicaba- Pesquisadores da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), descobriram que os dentes podem ser uma alternativa de identificação humana, com as vantagens de resistirem à decomposição e a altas temperaturas. Cada dente humano apresenta uma formação de esmalte diferenciada e única. O estudo despertou o interesse da comunidade acadêmica mundial e foi aceito para ser publicado, em destaque, na revista inglesa ''Proceedings of the Royal Society - Biology''.
Dissertação de mestrado da cirurgiã-dentista Liza Lima Ramenzoni, a pesquisa aponta que o esmalte dental é formado por camadas de prisma em direções alternadas, que formam as Bandas de Hunter-Schreger (HSB). Vistas sob uma lupa esteroscópica com uma luz lateral, elas surgem como faixas claras e escuras sucessivas, em um padrão parecido com o das impressões digitais. ''Cada dente é diferente do outro'', garante Liza.
A pesquisadora explicou que o padrão das bandas é definido ainda na gestação. Nessa fase do estudo foram analisados apenas os dentes permanentes de 30 indivíduos e outros 300 do banco de dentes da faculdade. Numa próxima etapa, Liza pretende analisar também a dentição decídua, conhecida como de leite, e compará-la com a definitiva.
O novo método biométrico pode ser complementar aos já existentes, como a impressão digital ou o som da voz, para ser aplicado em situações nas quais os outros não podem ser utilizados, nos casos de desastres em massa, corpos decompostos, carbonizados ou despedaçados.
Na pesquisa, as bandas resistiram a temperaturas de 300 graus centígrados.
Para obter a impressão dental, a pesquisadora usou lupa esteroscópica com capacidade de ampliação entre 20 e 50 vezes, lançou sobre o dente uma iluminação lateral localizada de fibra ótica e capturou a imagem em um computador, onde ela foi trabalhada para destacar os contrastes. Em seguida, a imagem foi processada pelo mesmo software usado na identificação de impressão digital, para comparar similaridade.
A técnica pode ser aplicada em consultórios dentários em alguns minutos, desde que o dentista disponha dos equipamentos.


