Sid Sauer
De Campo Mourão
O empresário Mozart Silva, dono de açougues em Barbosa Ferraz (74 km a leste de Campo Mourão) e Maringá, está denunciando a prefeitura de Barbosa Ferraz por descaso com o abatedouro municipal. Segundo ele, o município não regulariza a atuação da Associação dos Açougueiros (Açoubar) no local, não providencia o registro do imóvel e ainda construiu uma estação de tratamento de esgoto ao lado do local de abate da carne consumida no município.
‘‘Havia vários lugares para se construir a estação de tratamento de esgoto, mas foram fazer justamente no parque industrial’’, acusa Mozart. ‘‘O esgoto vai comprometer não só o abatedouro como também um moinho de trigo e um laticínios que existem na área’’. O empresário também se queixa que teve que abandonar um investimento de R$ 30 mil porque a prefeitura não regularizou a situação do abatedouro nem passou o seu controle para a Açoubar.
‘‘Estamos comendo carne clandestina há muito tempo’’, acusa Mozart. ‘‘Pois se o abatedouro não tem registro, está ilegal’’. O empresário diz que foi por causa dessas irregularidades que deixou de abater carne no local. Agora, ele promete entrar com uma ação na Justiça contra a prefeitura e contra os órgãos que autorizaram a construção da estação de esgoto no local. ‘‘Foram R$ 1,2 milhão do dinheiro público gastos em local errado’’, diz.
A prefeita de Barbosa Ferraz, Elza Marques Gonçalves (PFL), alega que o local da construção da estação de esgoto foi escolhida pela Sanepar como sendo o local ideal para a obra. ‘‘Além disso, a estação conta com um sistema moderno, que não deixa mau cheiro e que não vai atrapalhar o abatedouro’’. Elza ressalta que a obra da Sanepar teve a autorização do Instituto Ambiental do Paraná (IAP).
A prefeita diz ainda que a cessão do abatedouro para a Açoubar está em fase de licitação e que o contrato deverá ser assinado em breve. Ela afirmou que vai verificar a falta de registro em cartório do prédio. ‘‘O abatedouro não foi construído na minha gestão’’, lembra. Elza nega, no entanto, que a carne consumida no município seja clandestina. ‘‘Melhoramos o abatedouro e colocamos um veterinário para inspecionar o abate’’, frisa.
Segundo a prefeita, a prefeitura ajudou na compra até de um caminhão furgão para fazer o transporte da carne até os açougues, o que antes era feito em camionetas abertas. O presidente da Açoubar, Lineu Zanetti, disse que já recebeu informações verbais da Sanepar, do IAP e da Saúde Pública de que a estação de esgoto não vai inviabilizar o abatedouro. ‘‘Só que já pedimos isso por escrito e ainda não obtivemos nenhuma resposta’’.

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