Apiaí, SP, 20 (AE) - Todo o esgoto produzido diariamente pelos 18 mil habitantes da área urbana de Apiaí, no Alto Ribeira
sudoeste do Estado de São Paulo, está sendo lançado sem tratamento nos rios que formam as principais corredeiras e cachoeiras da cidade, como a da Usina Velha e do Calabouço. O mau cheiro e o aspecto da água afugentaram os turistas que costumavam se banhar nessas quedas dágua. Em Tapiraí, no Médio Ribeira, uma mineradora extrai caulim na Cachoeira de Juquiazinho. Esta e outras cachoeiras, como a do Chá e a do Belchior, enfrentam lixo e vandalismo.
O empresário Nilton Passoca de Toledo e Silva, de Apiaí, tem projeto para explorar turisticamente as corredeiras do Rio Tijuco, que formam a Cachoeira da Usina Velha, com 30 metros de queda, num trecho bem preservado de Mata Atlântica. A área fica a 3 quilômetros do centro e atrai ecoturistas, mesmo sem infra-estrutura. Mas o aumento na carga de esgoto poluiu a cachoeira e frustrou os planos de Silva. "Houve morte de vacas e cavalos que beberam a água do rio", afirmou.
O Tijuco, que corta a área urbana, recebe esgoto a céu aberto. Os Rios do Ouro, Maria Clara e Palmital também recebem poluição orgânica. É o Palmital que forma a Cachoeira do Calabouço, com queda de 40 metros.
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que assumiu há 12 anos os serviços de água e esgoto na cidade, iniciou em 1997 as obras do sistema de captação dos bairros Palmital e Campininha. Além da coleta e interceptação dos esgotos lançados nos rios, o projeto prevê a construção de uma estação de tratamento. O terreno foi desapropriado pela prefeitura, mas as obras pararam em 1998.
Segundo o vereador Nilson Antônio de Oliveira (sem partido), a empresa fez 80% das obras, mas não iniciou a estação de tratamento. "Nossa preocupação está no fato de que a parte já construída está em processo de deterioração." Ele pretende pedir ao Ministério Público (MP) a abertura de inquérito civil contra a empresa. Nos anos 80, o governo estadual instalou coletores de esgoto na cidade, mas a obra não foi concluída e a tubulação se perdeu.
O gerente da Sabesp em Apiaí, Simeão Rodrigues Fortes Filho, disse que a paralisação ocorreu por causa de cortes orçamentários. Segundo ele, 44% do esgoto da cidade ainda vão para fossas ou são jogados a céu aberto. "Precisaríamos fazer mais 1,5 mil ligações para coletar todo o esgoto", disse. Fortes Filho informou que as obras de coletores e de três estações elevatórias serão reiniciadas este mês. Mas a estação de tratamento depende de licitação.
Em Tapiraí, as três cachoeiras mais procuradas pelos turistas sofrem com vandalismo e lixo. A coordenadora de Turismo
Jaqueline Viviane Crene, diz que a prefeitura pôs lixeiras na Cachoeira do Chá, com queda de 40 metros, mas muitos visitantes espalham sujeira. Há lixo também nas imediações das cachoeiras do Belchior e do Limoeiro, que ainda não têm lixeiras. Na do Juquiazinho, "farofeiros" abandonaram lixo e uma mineradora extrai caulim próximo da cabeceira. A prefeitura garante, no entanto, que mantém as atividades da empresa sob fiscalização rigorosa.

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