Curitiba - O fator que mais afeta a qualidade de vida da população no Paraná, de acordo com os prefeitos, são esgotos a céu aberto e poluição das águas - o que se explica pelo tamanho da bacia hidrográfica do Estado. A avaliação pode ser feita a partir da pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada ontem. É o primeiro levantamento da situação ambiental dos 5.560 municípios brasileiros.
A Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic) foi realizada em 2002, mas o IBGE terminou a compilação dos dados apenas neste ano. Além de coletar informações diretamente com as prefeituras municipais, o IBGE também cruzou dados com monitoramentos feitos por satélite e outras informações fornecidas pelo Ministério do Meio Ambiente.
O IBGE também apontou a falta de locais apropriados para a disposição do lixo como um problema comum na região Sul, que no geral apresentou os melhores indíces ambientais.
Dentre os dados levantados pelo IBGE chama a atenção o impacto das queimadas e do desmatamento na qualidade de vida da população. Enquanto os dados anteriores estimavam que o problema das queimadas tinha impacto mais significativo apenas na região limite da floresta amazônica que estava sendo invadida pela criação agropecuária, o cruzamento de dados apontou que o problema é maior que o imaginado.
Quase um quinto das prefeituras brasileiras apontaram a destruição da vegetação como fator negativo para a qualidade de vida de seus habitantes. O cruzamento dos dados com imagens de satélite mostra que o problema pode ser ainda maior: os focos de calor indicam que municípios não informaram problemas com queimadas, talvez por medo que uma fiscalização dos órgãos competentes inibisse a produção agropecuária nos locais.
No Paraná, 60% dos municípios afirmaram manter convênios com a iniciativa privada para realizar ações ambientais. Os municípios do Paraná também recebem mais verbas ambientais específicas do que a média brasileira: 47% das prefeituras do Estado recebe algum tipo de contribuição, índice menor apenas que o do Rio de Janeiro, onde 50% das cidades recebem verbas ambientais. A média nacional é de apenas 18% dos municípios.

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