Esgoto deixa praias impróprias para banho no Rio11/Mar, 13:26 Por Roberta Jansen Rio, 11 (AE) - Todas as praias da orla do Rio estão impróprias para o banho devido ao despejo de esgoto in natura no mar. Estudo da empresa Tecnologia e Meio Ambiente (Tecma), contratada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, aponta que em oito das 11 galerias de águas pluviais do Leblon e de Ipanema, por onde deveria passar apenas água de chuva, corre esgoto puro, que é lançado nas praias da Zona Sul e na Lagoa Rodrigo de Freitas. O limite aceitável de coliformes fecais é de mil por cem mililitros, mas, em alguns pontos foram encontrados até 2,4 bilhões. O secretário municipal de Meio Ambiente, Maurício Lobo, responsabilizou a Companhia Estadual de águas e Esgotos (Cedae) pela poluição nas praias e na Lagoa. "A Cedae é uma empresa de saneamento do Estado que arrecada dinheiro para esse fim", afirmou Lobo. "A arrecadação da Cedae é de R$ 700 milhões por ano só na cidade do Rio; por que esse dinheiro não é investido em saneamento?". A assessoria de imprensa do governo do Estado negou que a Cedae faça despejo de esgoto no mar. O presidente da companhia não foi localizado pela reportagem. "Encontramos valores altíssimos de coliformes, não há como dizer que não há despejo de esgoto", contrapôs Lobo. Para fazer as medições, foram recolhidas amostras de água nas saídas das onze galerias pluviais que desembocam na Lagoa e nas praias da Zona Sul, entre os dias 28 de fevereiro e 6 de março - um dia depois da primeira aparição de peixes mortos na lagoa. De acordo com o estudo da Tecma, as águas da lagoa tinham até 1,1 milhão de coliformes fecais por cem mililitros. Especialistas da secretaria atribuem ao alto índice de poluição a mortandade de peixes na Lagoa durante o carnaval. Ontem, o governador Anthony Garotinho havia dito que as mortes foram causadas pela falta de oxigênio nas águas devido ao excesso de peixes no local. Integrantes da organização não-governamental SerConsciente estiveram hoje na orla da Lagoa colhendo assinaturas para um abaixo-assinado a ser encaminhado ao governador. "Queremos uma auditoria externa, a apresentação de um cronograma de obras e a fiscalização do ministério público federal ou estadual", reivindicou o biólogo Mário Moscatelli. O governador Garotinho informou hoje que ainda esta semana será assinado um convênio entre a colônia de pescadores, a Cedae e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) para medição da temperatura da água da lagoa. Ele disse ainda que o governo do Estado está disposto a ajudar a prefeitura em projetos para resolver o problema da lagoa. "Temos dinheiro em caixa", afirmou.

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