Londrina- Que tal morar entre médicos e padres? É possível supor que a saúde e o bem-estar espiritual dos que vivem no endereço são garantidos. Mas como ficar livre de doenças físicas e mentais com uma enxurrada de excrementos correndo todos os dias na porta de casa? Esta é a rotina dos moradores das proximidades do cruzamento das ruas do Médicos e dos Padres, no Jardim União da Vitória II, na Zona Sul de Londrina.
O problema é que as fossas de algumas casas da parte mais alta do trecho são ligadas diretamente à galeria de águas pluviais. E não há esgoto no local. Os moradores reclamam que a rede chega às proximidades - mais precisamente 50 metros rua acima e rua abaixo.
O resultado é que o excremento das fossas escorre pelas sarjetas, tornando insuportável a permanência nas casas da Rua dos Padres. E não é por falta de colaboração dos moradores que a situação ainda não foi resolvida. O pedreiro Douglas Aparecido Rodrigues da Silva, 29 anos, fez a parte dele.
Fez um trecho do meio-fio, por onde escorre as sobras dos chuveiros e tanques das casas vizinhas. ''Se fosse só essa água a gente ainda aguentava. Agora quando chove vira pura b...'', afirma. Com a valeta aberta, o asfalto está cada vez mais deteriorado e o risco de acidentes aumenta. Pelo menos um motoqueiro já caiu na cratera. ''Negociamos de cada morador abrir a vala e a Sanepar mandaria 210 metros de manilha. Mas nem isso fizeram'', critica.
De acordo com a diarista Marlene de Jesus Santos, 46, a promessa de extensão da rede de esgoto é antiga. Ela conta que mora na Rua dos Médicos há quatro anos e desde que chegou ouve promessas sobre a obra.
A assessoria de imprensa da Sanepar informou que um engenheiro deve fazer uma vistoria hoje para elaborar um estudo que aponte uma solução definitiva. Conforme a companhia, o trecho onde não há rede de esgoto, ''é bastante rochoso, o que dificulta a obra''.

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