O governo quer criar na legislação brasileira procedimentos para dar rapidez à investigação policial e tornar mais eficaz o combate ao narcotráfico. O secretário nacional antidrogas indicado pelo governo, Walter Maierovitch, defende a adoção da escuta ambiental e a infiltração de agentes policiais. As propostas estão entre as que vão ser discutidas até domingo.
‘‘Essas medidas não podem ser banalizadas. Elas precisariam de autorização judicial e acompanhamento do Ministério Público e serviriam para combater máfias do tráfico, que ameaçam o Estado’’, disse Maierovitch.
Para o advogado Márcio Thomaz Bastos, o tema requer cuidado, pois os procedimentos podem ser desvirtuados. Segundo ele, em todos os países onde isso foi implantado existem abusos. ‘‘É preciso ter fiscalização e punição severa para quem pegar instrumentos como esses para investigar qualquer coisa’’, completou.
Para Maierovitch, a legislação brasileira está atrasada para combater os métodos das organizações do narcotráfico. ‘‘Eles estão na velocidade da luz, e nós como lesmas reumáticas.’
Outra medida defendida pelo secretário é a adoção de serviço de proteção a testemunhas, ligado ao Estado. Isso significaria, por exemplo, ter um endereço para esconder a pessoa e dar a ela nova fonte de renda. ‘‘Temos de ficar alertas com o assistencialismo. Na Itália, já tem gente com a profissão de colaborador da Justiça’’, disse o secretário. Polícias de países como Itália e EUA usam os procedimentos defendidos pela Secretaria Nacional Antidrogas.

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