Escuna foi reformada sem vistoria de engenheiro
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terça-feira, 22 de abril de 2003
Agência Estado 
Cabo Frio - O carpinteiro autônomo Marcelo Corrêa de Oliveira, de 36 anos, disse ontem à polícia que foi contratado pelo mestre de cabotagem Norberto Guimarães da Silveira, de 71 anos, para reformar o barco Tona Galea, que naufragou no sábado matando 12 pessoas e deixando três desaparecidas. A obra ocorreu entre setembro e dezembro de 2001 e seu objetivo, informou o carpinteiro, era alterar as características originais do barco. O fundo, que era chato, foi transformado em ''tipo V''. Oliveira contou que trocou compensados navais podres, alterou a proa e acrescentou uma quilha, além de um sepo.
O carpinteiro admitiu saber que era obrigatória a presença de um engenheiro naval para a realização da reforma. Ele disse também que não seguiu projeto algum, baseando-se apenas em sua experiência e cobrou R$ 11 mil pelo trabalho. Oliveira entregará à polícia uma lista, que ele disse ser extensa, com os nomes de todos os barcos que alterou na região. Contou também não ter visto a licença da Capitania dos Portos para a obra.
Ontem, agentes da 126 Delegacia Policial (Cabo Frio) lacraram as portas do galpão do marítimo Walder Gusmão de Ataíde, de 52, usado nas obras. De acordo com o delegado José Omena, além da ausência de alvará para funcionamento, o local não respeitava a legislação ambiental.
Ontem, o delegado Omena ouviu o marinheiro Ângelo Márcio Pinto Tavares, auxiliar de Norberto. Ele contou que a viagem estava tranquila até o regresso da Ilha dos Papagaios, onde o Tona Galea parara para os turistas mergulharem. Tavares servia frutas aos passageiros quando uma onda atingiu o barco por trás, adernando-o. Todos os passageiros ficaram sob a embarcação. O marinheiro salvou uma menina de um ano e sete meses e viu Norberto puxar diversas pessoas para perto do barco e nadar até uma mulher, em quem colocou um colete salva-vidas, e conduzi-la até uma lancha, que levou ambos para terra firme.
Ele disse ao delegado Omena que se todos os passageiros estivessem usando coletes salva-vidas, a tragédia poderia ter proporções maiores, porque muitas pessoas não teriam conseguido mergulhar para escapar do barco adernado.
As buscas pelos três desaparecidos foram suspensas ontem às 18 horas sem que eles tivessem sido encontrados e prosseguem hoje de manhã.


