Escrivão é suspeito de desviar fianças
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quarta-feira, 06 de março de 2013
Lúcio Flávio Moura<BR>Reportagem Local 
Londrina A história de abandono das delegacias de polícia dos pequenos municípios paranaenses teve um novo e emblemático capítulo no último fim de semana no Norte do Estado. Um escrivão ad hoc (não efetivo) de Jaguapitã é suspeito de desvio do dinheiro arrecadado com fianças, de torturar uma criança durante uma ação policial, de subtrair documentos da delegacia e de extorquir suspeitos.
Fábio Rafael Gonçalves de Souza, de 29 anos, está detido em uma cela especial da delegacia de Primeiro de Maio. Ele cumpre mandado de prisão preventiva por supostas práticas que caracterizariam abuso de poder, além de ser acusado de montar um esquema de corrupção no período de dois anos em que a unidade não contava com um delegado titular.
De acordo com o promotor Erinton Dalmaso e com o atual delegado Maurício de Oliveira Camargo, o patrimônio do suspeito não é condizente com seu salário, de cerca de R$ 800. Os indícios, garantem as autoridades, apontam que suspeitos de crimes eram extorquidos por Souza, que há oito anos trabalha na delegacia.
Na casa dele, foram encontrados laudos e outros documentos que seriam peças-chave no indiciamento de suspeitos. Camargo acredita que os suspeitos pagavam propina para que os inquéritos não fossem instaurados.
No carro usado pelo "escrivão" - na verdade, ele seria funcionário de uma empresa terceirizada de limpeza havia documentação de um processo por embriaguez e a informação de que o valor referente à fiança teria sido entregue pelo suspeito a Souza. "Temos elementos para dizer que em pelo menos oito casos as fianças foram arbitradas, mas não foram depositadas na conta bancária da Justiça", afirmou o promotor.
O caso veio à tona depois que suspeitas sobre a conduta de Souza foram informadas pelo Ministério Público ao novo delegado da cidade, Maurício de Oliveira Camargo. Ao assumir o cargo em janeiro, ele decidiu conceder férias ao funcionário e investigá-lo. "Havia uma sensação de que as nossas suspeitas tinham fundamento até pelo número de inquéritos instaurados no ano passado, que foi de apenas 90. Em um mês e meio de trabalho, já instauramos 68", comparou.
As investigações devem prosseguir com a análise de farta documentação apreendida na casa de Souza, onde havia processos e laudos que deveriam estar na delegacia ou na Justiça. Também foram encontradas três armas de fogo, 122 munições. Uma grande quantidade de material de limpeza supostamente desviado da delegacia também foi apreendida.
O caso será encaminhado à Corregedoria da Polícia Civil. O comandante do Divisão Policial do Interior, Julio Reis, afirmou que a nomeação de Camargo em janeiro foi uma decisão de combate aos abusos cometidos na unidade.
O advogado do suspeito, Breno Henrique Teobaldo Arali, disse que ele começou a trabalhar na delegacia como estagiário de Direito e que, em seguida, foi contratado pela empresa terceirizada de faxina . Ele disse que seu cliente nunca quis ser o "dono da delegacia" e que ele cumpria as ordens dos respectivos delegados. "Vou pedir o habeas corpus dele. Não há motivo para uma prisão preventiva", afirmou.


