Rio, 14 (AE) - A Corregedoria de Polícia Civil investiga um novo caso de extorsão por policiais. O escrivão da 10ª Delegacia Policial (Botafogo), Antônio Carlos dos Santos, teria exigido R$ 5 mil para não indiciar o empresário Cláudio dávila, que havia discutido com um cliente no dia 20 de abril.
Dávila contou hoje em audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa que não tinha a quantia exigida no momento do flagrante e ficou de entregar o dinheiro mais tarde. Ele procurou a corregedoria, depois que recebeu ligações do escrivão, que cobrava a dívida. Os policiais instalaram um aparelho localizador de chamadas no telefone do empresário. Ele voltou à delegacia, usando um ponto eletrônico, e conseguiu captar o momento em que o escrivão exigia o dinheiro. Santos foi preso em flagrante e está detido na prisão especial do Ponto Zero, em Benfica, na zona norte.
O empresário disse que precisou mudar o número dos telefones e agora só sai à rua acompanhado de segurança particular. A corregedoria investiga ainda se houve conivência do delegado Eduardo Batista, titular da 10ª DP, nesse caso de extorsão.
Caminhoneiros - Na madrugada de sábado, o delegado da 141ª DP (São Fidélis, norte fluminense), Paulo Gil da Rocha, três policiais e três informantes foram presos por formação de quadrilha, acusados de extorquir caminhoneiros. Hoje o delegado regional do norte fluminense, Joaquim Teixeira do Couto, esteve na 141ª DP para conversar com os 35 presos que estão na carceragem. A delegacia chegou a ficar interditada no sábado, sob guarda da Polícia Militar, depois que os policiais foram presos. "Vim tranquilizar os presos e vou ouvi-los individualmente nos próximos dias", afirmou Couto. O chefe de Polícia Civil, Carlos Alberto DOliveira, nomeou o delegado Antônio Ragoso para assumir a delegacia.
O promotor de Itaperuna, Marcelo Lessa Bastos, investigava acusações de tortura e abuso de poder contra Rocha quando encontrou pistolas e espingardas sem registro, placas de carros roubados e toucas ninja na delegacia. "São indícios de que se trata de um grupo de extermínio", acredita o promotor. O detetive Haroldo Domingos Sodré, o carcereiro Emilson Teixeira e o escrivão Marco Aurélio da Silva foram presos em flagrante. Eles estão detidos, junto com o delegado, na prisão especial de Ponto Zero.
Bastos recebeu denúncia de que Rocha havia invadido a casa de um foragido da justiça de Itaperuna, o agente penitenciário Geraldo Sávio, acusado de toturar um preso. "O delegado teria roubado as roupas de Sávio e torturado o sogro dele", afirmou o promotor. Bastos encontrou as roupas do agente penitenciário no gabinete de Rocha. Nas celas da delegacia, havia três presos ilegalmente, que seriam extorquidos.
Hoje o subsecretário de Segurança Pública, Luiz Eduardo Soares, afirmou que o episódio deixa uma "mácula" na Polícia Civil. Ele garantiu que a secretaria não vai agir com hipocrisia e que os responsáveis serão punidos. "A impunidade alimenta a criminalidade", disse. Os policiais respondem a processo criminal, por formação de quadrilha e abuso de poder, e processo administrativo.

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