Escritora sugere 'Parque do Peabiru'
Sid Sauer
A escritora e jornalista Rosana Bond disse durante a semana que a região de Campo Mourão não pode perder a oportunidade de criar, o mais rápido possível, um parque que relembre o Caminho do Peabiru, uma estrada construída pelos índios antes do descobrimento da América e que atravessava o continente do Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico. Não é difícil, basta convencer os fazendeiros que têm terras na área, disse a escritora.
Rosana defende a criação do parque desde 1996, quando realizou um trabalho de pesquisa e escreveu um livro sobre o Caminho do Peabiru, que passava pela região onde atualmente está Campo Mourão. Na época, a escritora era assessora de imprensa da prefeitura de Campo Mourão e se interessou pelo assunto. Esta semana, ela voltou à cidade para lançar um novo livro: A Saga de Aleixo Garcia, o Descobridor do Império Inca.
A escritora diz que é possível, sem muita dificuldade, reproduzir um trecho da antiga estrada, que tinha cerca de 1,80 metro de largura e uma profundidade de aproximadamente 40 centímetros. Tudo coberto com uma espécie de grama que evitava a erosão. Rosana imagina que se poderia refazer um trecho de cerca de 70 quilômetros da estrada, a partir de Campo Mourão em direção a Maringá. É só reproduzir o que a história diz, ressaltou.
Segundo a escritora, o Parque do Peabiru pode proporcionar à região uma das maiores fontes de arrecadação de recursos da atualidade, que é o turismo ecológico e místico. Será uma estrada mística porque o Caminho de Peabiru também era conhecido como Caminho de São Tomé, lembra a escritora. A história da velha estrada registra uma lenda que diz que São Tomé, um dos 12 apóstolos de Cristo, é quem teria aberto o caminho, há dois mil anos.
Campo Mourão pode ser uma Santiago de Compostela com as suas características, explicou Rosana, referindo-se aos caminhos místicos da Espanha, que atraem milhares de turistas de todo mundo. De acordo com a escritora, ao longo da reprodução do Caminho de Peabiru poderiam ser construídos museus sobre os incas, sobre São Tomé, sobre o próprio caminho e até lugares para meditação, além de barracas para a venda de brindes e souvenirs.
Com certeza dará retorno, frisou Rosana. A jornalista disse que uma das vantagens do empreendimento é que nada precisará ser inventado. É só seguir a história. Foi ao pesquisar sobre o Caminho do Peabiru, aliás, que a escritora acabou se apaixonando por Aleixo Garcia, o personagem principal de seu mais novo trabalho. Garcia foi o primeiro europeu a percorrer, em 1554, a estrada construída pelos índios.
No novo livro, Rosana conta que Garcia foi também o primeiro homem branco a entrar em contato com os incas. Pela história oficial, a descoberta dos incas é atribuída ao espanhol Pizarro, mas a escritora garante que Garcia fez o contato 6 anos antes. Garcia era português, mas se mudou para o Brasil no início do século 16, onde chegou a se casar com uma índia guarani. Para levantar a história dele, a escritora percorreu vários países da América do Sul.
A história do Brasil do início do século 16 está na Espanha e não em Portugal, disse Rosana Bond. Tanto é que no Brasil existem pouquíssimos registros sobre Aleixo Garcia. A escritora também se mostra empolgada com a possibilidade do Caminho de Peabiru e a vida de Aleixo Garcia ser transformada num documentário para a televisão. O desejo foi manifestado pelo diretor Paulo Rufino, que trabalha para uma produtora de São Paulo.





