Curitiba - O escritor paranaense Wilson Pinto Bueno, 61 anos, foi assassinado dentro da própria casa, no bairro Tingui, em Curitiba, na última segunda-feira. O corpo foi encontrado no segundo andar da residência e apresentava ferimento de faca no pescoço. Alguns ambientes estavam revirados e o computador chegou a ser levado para o andar de baixo. O caso será analisado pela Delegacia de Furtos e Roubos. Há suspeitas de que uma quantia em dinheiro tenha sido levada.
De acordo com o Instituto de Criminalística, Bueno estava morto há mais de 12 horas quando o corpo foi encontrado. Na segunda-feira de manhã, a empregada dele chegou para trabalhar e encontrou o portão sem cadeado. Como era de costume, ela trabalhava durante parte do dia apenas no andar de baixo, pois o escritor dormia até a tarde. Às 17 horas, a empregada achou estranho não escutar nenhum barulho. Como não tinha autorização para ir ao segundo andar antes que o escritor acordasse, ligou para uma pessoa da família, que foi até a casa e encontrou o corpo.
No final da tarde de ontem, foram apresentados os responsáveis pelas investigações na Delegacia de Furtos e Roubos de Curitiba. Apesar de ter verificado o sumiço de um celular e de uma máquina fotográfica da vítima, o delegado-chefe, Silvan Pereira, disse não acreditar que o criminoso teve a intenção de roubar. Outra hipótese levantada pelo agente é que Bueno teria sido morto ''à traição''. Os dois golpes de faca que recebeu na jugular dão margem à possibilidade.
O delegado detalhou que o criminoso entrou na residência com o consentimento do proprietário, pois não há sinais de arrombamento na casa. O investigador não irá descartar crime passional, mas devido ao roubo dos pertences, inicialmente irá conduzir o caso como latrocínio (roubo seguido de morte).
Bueno nasceu no município de Jaguapitã (46 km ao norte de Londrina), mas morava em Curitiba desde a década de 1970. Escreveu 13 livros, o último lançado em 2007. Uma das obras mais importantes é ''Mar Paraguayo'', publicado em 1992, com uma mistura das línguas portuguesa, guarani e espanhola. Foi o criador do jornal cultural Nicolau e era colaborador do jornal O Estado do Paraná e da revista Ideias. Uma cópia do último livro do escritor, ainda inédito, foi entregue recentemente para a editora. O enterro foi realizado ontem, no Cemitério Municipal de Santa Cândida.(Colaborou Anelise Faucz)

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