A polícia encontrou ontem um galpão subterrâneo em uma casa na Vila do João, favela do Complexo da Maré, zona norte do Rio. A quantidade de armas - granadas, fuzis, pistolas - surpreendeu tanto quanto a estrutura do esconderijo: o galpão foi construído com concreto, revestido por azulejo, climatizado, impermeabilizado e com sistema de isolamento acústico. -
‘‘O crime tem-se sofisticado. O local segue regras técnicas e é bem estruturado. Realmente, eu fiquei surpreso’’, reconheceu o secretário de Segurança Pública, coronel Josias Quintal. -
A polícia chegou ao esconderijo por uma denúncia anônima feita em telefonema para o 22º Batalhão da Polícia Militar (Benfica). A informação é de que haveria um paiol subterrâneo numa das casas do Conjunto Salsa e Merengue, escondido por um fundo falso na cozinha. No local, a polícia encontrou 26 granadas, 10 fuzis, um lança-granada, 20 carregadores, 10 mil cartuchos de munição, além de 100 quilos de cocaína e aparelhos celulares Nextel. ‘‘É um arsenal de bandido. Certamente muitas vidas foram poupadas com essa apreensão, principalmente vidas inocentes dos moradores’’, disse Quintal.
Segundo o chefe da Polícia Civil, delegado Álvaro Lins, o Complexo da Maré está ocupado pela polícia há 15 dias. São 180 homens por turno. ‘‘Isso tem dificultado a movimentação dos traficantes, eles têm andado com armamento básico, e deixaram escondidas as armas pesadas’’, afirmou Lins, ao encontrar caixas vazias de pistolas Rugger.
O comandante do 22º BPM, tenente-coronel Mauro Figueiredo, acredita que o material pertença à quadrilha do traficante e sequestrador Paulo César da Silva dos Santos, o Linho, foragido da polícia. Há cerca de quatro anos ele vem tentando conquistar o comando do tráfico na Maré - complexo que reúne 15 favelas, com cerca de 230 mil moradores. No ano passado, Linho comandou uma chacina na favela Nova Holanda que deixou seis mortos e quatro feridos. Na ocasião, 30 homens fortemente armados invadiram a favela em dois caminhões baú.

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