Brasília- Sob a lona, um grupo de 28 meninos e meninas repete um refrão que ensina a ''ocupar toda terra improdutiva, resistir com organização e enfrentar para não sair''. É hora de aula na Escola Itinerante Paulo Freire, do Movimento dos Sem-Terra (MST), montada no acampamento do 5º Congresso Nacional, em Brasília. As crianças são estudantes de 8 a 10 anos e acompanham os pais no evento.
Ali, enquanto os adultos discutem as formas de pressão para fazer andar a reforma agrária, meninos e meninas são preparados para a ''luta''. Segundo o MST, o movimento tem duas mil escolas públicas em seus acampamentos e assentamentos, onde estudam 160 mil crianças. Também já formou mais de 4 mil professores. Entre os que atuam na escolinha itinerante, muitos preferem ser chamados de ''educadores'', já que, segundo o MST, nem todos têm o diploma de professor. A pequena Maurally Fernandes, de 8 anos, canta o refrão sem saber ainda o que significa. ''Estou aprendendo a cantar, mas quero pintar.'' Ela é de uma das filhas de Adenilson Pereira Souza, assentado em São Mateus, interior do Espírito Santo, e cursa a segunda série do primeiro grau.
Maria Cristina Vargas, integrante do setor de educação do MST, disse que as aulas na escola itinerante são dadas de forma ''mais lúdica e dinâmica''. Ter escolas próprias foi uma forma de aproximar o ensino da realidade das crianças assentadas e acampadas. ''Elas precisam entender o que os pais fazem e falam.'' Nas escolas das cidades, alega, há preconceito contra os alunos sem-terra.

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