Escolha de prato típico de Maringá desagrada setores
Escolha de prato típico de
Maringá desagrada setores
Marcos Zanatta
De Maringá
O prato típico de Maringá deve ser mesmo o porco no tacho, escolhido por 37% dos entrevistados em uma pesquisa realizada pelo Conselho Municipal de Turismo para apontar a opinião da comunidade. A escolha final ficará a cargo dos conselheiros, que já definiram uma estratégia para promover o prato. A idéia é fazer um concurso ou um festival de gastronomia com o prato principal e os acompanhamentos. O que agradar mais aos convidados será oficializado. A intenção do conselho é incentivar alguns restaurantes da cidade a adotarem o prato típico.
Os pesquisadores estudantes de Turismo de uma faculdade local ouviram pessoas nas ruas sem sugerir o nome de nenhum prato. Tanto que foram citados até macarronada e arroz com feijão, com 9% da preferência. Os pioneiros ouvidos em uma reunião anterior à pesquisa escolheram o porco no tacho, revela a coordenadora de Turismo da prefeitura, Tiana Lorencete.
A intenção não é apenas falar que o prato é daqui e fazer uma festa, mas de resgatar os costumes dos colonizadores, lembra. O porco no tacho, quando a região era aberta há mais de 50 anos, foi muito consumido pelos pioneiros. Tiana lembra que na época não existia energia e o transporte era difícil. O porco como animal pequeno e de fácil conservação na própria banha, era muito utilizado e apreciado.
O conselho de turismo pretende também apoiar um projeto de lei do vereador Basílio Bacarin (PSDB), que prevê a realização de uma festa anual com o prato típico. Por enquanto estamos em fase de escolha do prato típico, deixa claro Tiana. A movimentação em torno dessa escolha e a divulgação e aceitação do porco no tacho acabou desagradando os tradicionalistas do Centro de Tradições Gaúchas (CTG) Rincão Verde de Maringá.
O clube aperfeiçoou a costela ao fogo de chão nos últimos 26 anos e faz o prato pelo menos uma vez por mês, com renda para entidades assistenciais. No ano passado, o CTG promoveu a Festa Nacional da Costela de Fogo de Chão, quando foram assados mais de 3 mil quilos de carne. A festa foi incluída no calendário turístico do município.
Não estamos contra o porco como prato típico, apenas agora não era o momento de se debater essa questão, argumenta o patrão do CTG, Léo Jandrey. A festa deste ano está agendada para setembro e o receio dos tradicionalistas é em relação à grande divulgação do prato típico, que pode esvaziar o evento. A costela ao fogo de chão foi citada por apenas 3% dos entrevistados.





