Escolha de Gregori agrada ao PSDB
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 10 de abril de 2000
Por Liege Albuquerque, Sônia Cristina Silva e Nelson Breve 
Brasília, 11 (AE) - A substituição de José Carlos Dias por José Gregori no Ministério da Justiça atendeu aos interesses ao PSDB. Nos bastidores, os parlamentares reclamavam da postura "pouco ativa" de Dias dentro do Congresso. "Tenho enorme respeito por José Carlos Dias, mas o Gregori está vinculado à história do PSDB", afirmou o líder do PSDB na Câmara, deputado Aécio Neves (MG). "Com certeza teve seus motivos para sair", limitou-se a dizer o líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (SP).
Os membros que articulavam a reforma do Judiciário na Câmara há mais de um ano repetiram reclamações nos bastidores da falta de vontade do ex-ministro em negociar sobre o assunto. Segundo um dos parlamentares negociadores da reforma, apesar do Ministério da Justiça ter dois interesses diretos sobre o assunto - acabar com a Justiça Militar estadual e federalizar os crimes graves contra os direitos humanos -, o ministro nunca foi à Câmara negociar com os deputados. "Ele chegou a marcar duas vezes para irmos ao ministério, mas desmarcou", contou o parlamentar.
Para o líder do PSDB na Câmara, não havia melhor nome para o ministério do que o de Gregori. "Não tenho dúvidas de que Gregori tem maior identificação com o presidente da República do que seu antecessor", afirmou Neves. Madeira não economizou elogios: "O presidente Fernando Henrique Cardoso sempre escolhe bem: Gregori conhece a fundo todas as áreas do ministério da Justiça, já que trabalha lá há cinco anos, além de ser um homem de total confiança do presidente e ter um trânsito largo em todas as áreas (da Justiça) e dos partidos".
O líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), afirmou que a substituição de Dias por Gregori foi "natural". "Isso porque ele fez um excelente trabalho como secretário de Direitos Humanos e é uma pessoa respeitável, preparado e tem acesso direto ao presidente da República."
Para ele, foi importante o presidente ter decidido rápido para evitar uma crise maior. "Mas José Carlos Dias fez um belíssimo trabalho", afirmou. "E até onde sei ele já vinha querendo sair."


