Brasília, 08 (AE) - A indicação do ex-presidente do Grupo Camargo Corrêa Alcides Tápias - de um executivo e não de um empresário ou político - para o Ministério do Desenvolvimento
Indústria e Comércio Exterior renovou as esperanças dos representantes do setor industrial. A expectativa é de que, desta vez, o principal objetivo da pasta, que é a promoção do crescimento econômico, seja alcançado. Embora represente um desafio para o ex-presidente da Febraban e principal executivo do Grupo Camargo Corrêa, uma vez que, desde já, está sendo atacado pela classe política, os industriais acreditam que Tápias terá um bom desempenho e será um excelente interlocutor.
"O bom desempenho de Alcides Tápias dependerá mais da sua competência e menos do seu discurso", afirmou hoje o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva. Tápias, segundo Piva, comprovou ser hábil, capaz de conciliar conflitos. "Mas, no comando do Ministério do Desenvolvimento, terá de acomodar interesses conflitantes", afirmou o presidente da Fiesp. "Vão exigir dele muito mais do que ele poderá oferecer." Caso Tápias não tenha sucesso nessa função, o governo, então, terá de rever o modelo criado com o propósito de promover o desenvolvimento econômico, acredita Piva.
"O mérito do executivo é que o seu único compromisso é com o resultado do seu trabalho", afirmou o presidente da Associação Brasileira de Papel e Celulose (Bracelpa), Boris Tabacof. "O profissional tem de aceitar desafios, superar dificuldades e apresentar resultados." Para Tabacof, a indicação de Fraga e, agora, de Tápias, mostra a tendência de um nova modalidade de homem público - comprometidos apenas com objetivos.
Mas, para o coordenador do Grupo de Política Industrial da Fiesp, Roberto Nicolau Jeha, o problema não é o ministro indicado, mas o ministério, que está desprestigiado.

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