Escolha de diretor-geral da OMC gera confronto
Genebra, 05 (AE-AP) - A determinação de escolher o novo diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) por consenso, como é praxe desde 1947, época do Acordo Geral de Tarifas e Comércio (Gatt), criou um clima de verdadeiro confronto entre os países industrializados e as nações emergentes ou em vias de desenvolvimento.
Hoje, os chefes das delegações do Brasil, México, Índia, Austrália, Holanda e Grã-Bretanha, além de outras 20 nações, divulgaram moção de apoio ao candidato tailandês, Supachai Panichkpadi, e pediram a adoção de regras claras para a nomeação do sucessor de Renato Ruggiero, de modo a fortalecer a OMC.
Os signatários do documento criticaram o presidente do conselho-geral da OMC, Ali Mchumo, da Tanzânia, que na terça-feira tentou desclassificar a candidatura do tailandês para obrigar os 134 países membros a alcançar um consenso em torno do nome do ex-primeiro-ministro neo-zelandês Michael Moore
cuja postulação tem o apoio explícito dos Estados Unidos.
"Mchumo não tem poderes para excluir nenhum candidato, afirmou Kipkorir Aly Rana, do Quênia, que sugeriu que se buscasse um consenso em torno do candidato tailandês, não de Moore.
Os representantes dos 26 países que firmaram a declaração, entre eles um grupo de nações asiáticas, também suscitaram dúvidas em relação à "legitimidade dos critérios aplicados e sucessivamente modificados" ao longo do processo de escolha do futuro diretor-geral. Os simpatizantes de Supachai, entre eles os países asiáticos, dizem estar dispostos levar os nomes a votação, algo que foge inteiramente do espírito da OMC, caso não se obtenha um consenso.
A clara divisão dos dois grupos e as duras trocas de acusações entre eles, observam os analistas diplomáticos, não contribuem para facilitar as coisas e abrir caminho para que se possa chegar a bom termo durante as difíceis negociações comerciais previstas para a Rodada do Milênio.
A falta de decisão a respeito do comando da OMC também atrapalha os preparativos para a reunião de cinco dias em Seattle, que começa no dia 30 de novembro, para tentar reduzir tarifas e ampliar os mercados globais para bens e serviços.
Enquanto os países membros não chegam a um acordo sobre o sucessor de Ruggiero, a queda-de-braço entre os EUA e a União Euorpéia em torno das exportações norte-americanas de carne bovina agrava-se. Washington ignorou os relatórios europeus sobre os efeitos nocivos do uso de hormônios na criação do gado de corte, enquanto a UE já começa a discutir uma forma de compensar os EUA pelas perdas decorrentes do veto às carnes bovinas produzidas na América do Norte.
A disputa em torno das importações de bananas pela UE também ganhou nova força depois que a Companhia Bananeira da Martinica (Cobamar) denunciou pratica de dumping por parte das companhias norte-americanas na Europa.





