Rio, 11 (AE) - A Secretaria Municipal de Educação de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, teve prejuízo de R$ 100 mil com o roubo de material de alta tecnologia de dez escolas da rede pública, nos últimos seis meses. Os ladrões levaram projetores de imagens, aparelhos de TV e de videocassete e telões. A secretaria acredita na existência de uma quadrilha especializada em arrombamentos noturnos.
O caso mais recente foi há uma semana. Um grupo de saqueadores levou equipamentos avaliados em R$ 10 mil da Escola Municipal General Sampaio, que fica no bairro Doutor Lauriano, onde quatro outros colégios também foram arrombados no segundo semestre do ano passado. Um projetor de imagens de última geração, utilizado em aulas expositivas - apenas um dos diversos aparelhos roubados da escola -, tem preço de mercado de R$ 8 mil. Foram levados ainda 50 quilos de alimentos que seriam utilizados como merenda.
A secretária de Educação, Roberta Barreto, disse que, apesar de todos os crimes terem sido notificados à polícia local
não houve aumento do policiamento nas proximidades das escolas. "Compramos máquinas da mais alta tecnologia para proporcionar um ensino de qualidade aos nossos alunos, mas acabamos perdendo tudo por causa da ineficiência da polícia", afirmou Roberta.
Os equipamentos são comprados com verbas do Fundo de Valorização e Desenvolvimento do Ensino (Fundef), do governo federal, e da prefeitura de Duque de Caxias, cuja rede de ensino tem 103 escolas, com 63.500 estudantes. A secretária garante que os alunos não serão prejudicados pois as escolas saqueadas serão reequipadas antes do início do ano letivo, em fevereiro, segundo informou Roberta. Ela lamenta, no entanto, que esta verba poderia ser utilizada para obter outros recursos para os estudantes.
Abandono - Além das máquinas, a prefeitura arca ainda com gastos com o reparo de grades e vidraças quebradas pelos arrombadores, que agem sempre após as 19 horas, quando os funcionários vão embora, e antes das 6 horas do dia seguinte, quando voltam ao trabalho. "Durante o dia, não temos problema algum, porque a própria comunidade se organiza para fazer a vigilância dos estabelecimentos de ensino", contou a secretária. "À noite, essas áreas ficam completamente abandonadas, o que, obviamente, facilita a ação dos bandidos".
O comandante do 15º Batalhão de Polícia Militar (Duque de Caxias), tenente coronel César Rubens Monteiro de Carvalho, nega que tenha recebido pedido de reforço no contigente de PMs para fazer segurança das escolas. "É inviável colocar um policial em cada colégio, por isso não há um esquema específico para estas localidades", explicou Carvalho. "Se a situação está tão grave, a Guarda Municipal deveria ser acionada, uma vez que as escolas do município são um bem público", afirmou.

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