Escolas técnicas: MEC e Seade traçam perfil das regiões onde elas estão localizadas
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domingo, 14 de março de 1999
Por Juliana Junqueira 
São Paulo, 15 (AE) - O Ministério da Educação (MEC), em parceria com a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), está desenvolvendo uma pesquisa para identificar o perfil econômico das regiões onde estão localizadas as escolas técnicas brasileiras. O levantamento - que também apontará demandas profissionais e qualificações exigidas pelo mercado - servirá de orientação para a readequação das escolas profissionalizantes da rede pública ou comunitária.
A intenção é direcionar a formação do estudante para que ele tenha mais chance de ocupar os postos de trabalho na região onde vive. O Seade já começou a fazer a Pesquisa de Atividade Econômica Regional (Paer) em empresas do setor da indústria e de serviços em municípios próximos de 120 escolas técnicas federais
estaduais e comunitárias em vários Estados. A partir do levantamento serão apurados os requisitos de contratação das empresas, o perfil dos que já trabalham, os investimentos e as reduções nos postos de trabalho, além das inovações tecnológicas ocorridas nos últimos dois anos.
O pesquisador verificará os requisitos de contratação das empresas. Com base nesses dados, o Proep pretende dirigir o planejamento dos conteúdos da educação profissional. Um dos projetos tem como parceira a Central Única dos Trabalhadores (CUT). "Estamos pesquisando um local em Santa Catarina para construir uma escola de hotelaria e turismo", afirma o diretor-executivo do Programa de Expansão da Educação Profissional (Proep), Raul do Valle.
A Paer está vinculada ao Proep, que promoveu uma reforma profunda há dois anos na estrutura da escola técnica no País. Hoje, o ensino técnico é ministrado à parte do ensino médio, a partir de módulos. Os estudantes podem frequentar os dois cursos simultaneamente, mas em períodos do dia diferentes e só a partir do terceiro semestre do 2.º grau. Vantagens - A vantagem é que as pessoas com o segundo grau completo também podem matricular-se. O currículo também está mais flexível, com 70% das disciplinas fixadas pelo MEC e 30% pela própria escola. "Essa mudanças foram necessárias para corrigir as distorções na educação profissionalizante", diz Valle. "As escolas não estavam formando técnicos, mas servindo de trampolim para a universidade".
Criadas em 1909 pelo então presidente Nilo Peçanha, as "escolas de aprendizes e artífices" vieram para atender a classe trabalhadora. A partir de uma mudança curricular, na década de 70, essas escolas passaram a oferecer um ensino acadêmico em nível de excelência equivalente ao das escolas particulares. "Nos últimos anos, de 60% a 70% dos egressos seguiram para o ensino superior, deixando de exercer a função de técnicos", afirma Valle. A intenção com a reforma é fazer com que a pessoa siga a profissão técnica.
As despesas com o ensino profissionalizante são elevadas. Cada aluno custa US$ 4.500,00 - ante US$ 750,00 no ensino médio. "Não fomos contra o aprimoramento das pessoas, mas ao desvio de sua função real", diz Valle. Em 1997, o MEC criou o Proep, que recebeu US$ 500 milhões, metade do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a mesma parte do MEC. O programa deveria modernizar e melhorar a qualidade da educação profissional, além de adequar a formação às necessidades atuais.


